sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Capítulo 7: "Você só queria me ver?"

"Verdade e transparência, sinto que essas palavrinhas estavam começando a ganhar muito poder".




Amy: Ela deve ter feito algo péssimo – insistiu.

Kriss: Não foi isso que deu a entender – rebateu

Talita: o que ela disse mesmo? – perguntou puxando o braço dela.

Janaína foi mandada pra casa. Era crucial para nós entender a eliminação, porque tinha sido a primeira eliminação isolada que não foi motivada por descumprimentos de regras. Ela tinha feito algo errado e queríamos saber o quê. Kriss, cujo quarto ficava em frente ao de Janaína, tinha visto a garota entrar e fora a última pessoa com quem ela conversou antes de ir embora. Ela deu um suspiro e repetiu a história pela terceira vez.

Kriss: Ela e o Neymar saíram, mas vocês sabiam disso. – O encontro deles era mesmo de conhecimento comum. Depois da sessão de fotos do dia anterior, ela espalhou o convite pra quem quisesse ouvir.

Bárbara: Foi seu segundo encontro com ele. Ela foi a única a ter dois.

Juliana: Não, não foi – comentei.

Algumas cabeças se voltaram pra mim e confirmaram minha declaração. Era verdade, apesar de tudo. Janaína foi a única a ter dois, além de mim. Não que eu contasse.

Kriss: Ela voltou chorando. Perguntei o que tinha acontecido e ela respondeu que ia embora, que ele a mandou de volta pra casa. Estava tão transtornada que dei um abraço nela... Depois, perguntei o que tinha acontecido, e ela disse que não podia contar. Não entendo isso! Será que não temos autorização pra falar quando formos eliminadas?

Talita: Isso não estava nas regras, estava?

Amy: Ninguém falou nada à respeito – Apontou e muitas confirmaram.

Celeste: Mas o que ela disse então? – Kriss deu outro suspiro.

Kriss: Disse pra eu tomar cuidado com o que falo, depois entrou no quarto e bateu a porta.

O ambiente ficou em um silêncio reflexivo por alguns minutos.

Beatriz: ela deve ter insultado ele - sugeriu.

Celeste: Bem, se esse for o motivo da saída dela, é uma injustiça. O Neymar afirmou que alguém aqui nesse salão o insultou na primeira vez que se viram.

 As garotas começaram a olhar em volta na tentativa de identificar a culpada, talvez com o desejo de fazer com que ela - no caso eu – fosse embora. Lancei um olhar nervoso para Marlee e ela logo entrou em ação.

Marlee: será que ela falou de negócios ou algo assim?

Bárbara: Pelo amor de Deus, imagine a chatice que estava sendo o encontro então né? Por acaso alguém aqui falou de negócios com ele? – Ninguém respondeu. Claro que não! Neymar está em busca de um amor, não de uma assistente.

Kriss: Você não acha que está subestimando ele? Ele deve querer alguém com ideias e opiniões também. – Celeste se jogou pra trás e riu.

Celeste: Neymar pode muito bem administrar seus negócios sozinho. Teve treino pra entender disso. Além do mais, tem pessoas pra ajudá-lo a tomar decisões. Por que ia querer alguém pra lhe dizer o que fazer? Se eu fosse você, começaria a aprende como manter a boca fechada, pelo menos até que ele fique com você.

Bárbara: O que não vai acontecer – falou ficando do lado de Celeste.

Celeste: Exatamente! – assentiu sorrindo. Por que ele ia se importar com alguém com a renda inferior, sendo que pode ter uma melhor, como eu?

Talita: Ei! Ele não se importa com isso.

Celeste: Claro que se importa! Por que você acha que todas com renda baixa já foram embora?

Juliana: Presente! – ergui o braço. Se acha que entende ele, está muito errada.

Celeste: Ah, a menina que não sabe calar a boca! – Cerrei o punho imaginando se valeria a pena bater nela. Seria parte do seu plano? Mas antes que eu pudesse me mover, Silvia entrou na sala.

Silvia: Olá meninas! Meia horinha pra ligar pra suas famílias, corram já! – avisou e a tensão se desfez.

Fazia quase duas semanas que estávamos lá, então obviamente a saudade já estava grande. Corri para o quarto, a ponto de chegar ofegante nele. Peguei o telefone fixo ao lado da cama e liguei para meu irmão.




Ligação ON:
 

 Lucas: Alô, Jú? 
Juliana: Oi meu amor, que saudades!
Lucas: Caralho pirralha, to sentindo tanto sua falta.
Juliana: Olha a boca menino - riu. Eu também, de todos vocês. Me fala como vocês estão?
Lucas: Todo mundo bem, tudo no certo. a mãe até foi no médico com papai.
Juliana: No médico? o que ela teve? ela piorou?
Lucas: ei, ei! calma maninha, ela tá bem, ótima aliás! Mamãe tem progredido muito nos exames, e quando te viu na televisão dava pra ver o orgulho saltando pra fora. Você é foda, todos nós reconhecemos seu sacrifício.
Juliana: sabe que fiz e faria tudo de novo por cada um de vocês né?
Lucas: Claro que sei. Conheço a irmã que tenho - rimos
Juliana: e os tios? estão bem? 
Lucas: tia Ieda é só o escândalo quando vê qualquer notícia que tenha favoritismo voltado pra você, morro de rir com ela. Mas fica tranquila que estão todos bem e torcendo muito. Não vejo a hora de chegar o programa sexta-feira.Vai ser bom te ver de novo! - foram os trinta minutos mais rápidos que tive, e só de pensar na despedida de sempre, meu coração já apertava.
Juliana: Não sabe o quanto esse apoio me faz bem, vocês são incríveis.
Lucas: Quando puder, pode me ligar a hora que quiser, de manhã, de noite, de madrugada... faço esse sacrifício por você. - riu. Amo você. Todos amamos.

Ligação OFF



Queria saber o que estava acontecendo, imaginava o que teria ocorrido de verdade com Janaína, além de estar curiosa pra saber se o Neymar tinha mais um encontro hoje de noite, queria muito vê-lo. Minha mente começou a girar em busca de uma maneira de falar com ele. Peguei um pedaço de papel e escrevi rapidamente.

“Jogador, mão na orelha quando puder.”

Saí do quarto e avistei o Gil lá embaixo.

Juliana: Ei!

Gil: Fala carioca, tudo bem? – sorriu e a essa hora suas covinhas já estavam pulando em seu rosto.

Juliana: Tudo sim e você?

Gil: Tranquilão pô – ri.

Juliana: Sabe do Neymar?

Gil: Tá no escritório com o cabeça.

Juliana: Ahh sim, pode entregar esse bilhete à ele pra mim? – ele fez uma cara maliciosa e eu ri.

Gil: Entrego sim. - Não tinha dúvidas que ele leria, mas meu enigma me deixava tranquila. Comecei a andar pela casa e ela era tão linda. O papel de parede, os espelhos, os vasos gigantes com flores frescas, carpetes luxuosos e macios, janelas brilhantes de tão limpas e quadros adoráveis, enfim, tudo impecável. Avancei um pouco mais pelo corredor e dei com um retrato dele e do filho na parede. Era gritante o quanto aquela criança havia crescido.

Neymar: Juliana? Tá tudo bem? O que houve de errado? – errado?

Juliana: Nada, estou bem. – ele soltou um suspiro de alívio que eu não tinha notado que estava segurando.

Neymar: Ainda bem, quando recebi o bilhete, pensei que tinha acontecido alguma coisa com sua família, ou estava doente, sei lá.

Juliana: Não, não. Desculpa ter te assustado, sabia que era uma ideia idiota. É que não tinha certeza se você estaria no jantar e quis te ver antes.

Neymar: Bem e para que? – perguntou com a testa franzida como se quisesse confirmar de que eu realmente estava bem.

Juliana: Só para ver você. – ele ficou parado e me olhou nos olhos, admirado.

Neymar: você só queria me ver?

Juliana: não fique tão chocado, amigos geralmente passam tempo juntos.

Neymar: Ah, você está chateada comigo porque estou cheio de compromissos essa semana né? Não era minha intenção deixar nossa amizade de lado, desculpa.

Juliana: Não to brava. Só estava me explicando, mas você parece ocupado, volte aos compromissos, a gente se vê quando estiver livre.

 Neymar: Na verdade você se importa se eu ficar mais um pouco? Tá rolando uma reunião de orçamentos lá no escritório e odeio esse tipo de coisa. - Sem esperar minha resposta ele me arrastou pro sofá mais próximo, embaixo de uma janela. Deixei escapar uma risadinha enquanto nos sentávamos. O que é tão engraçado?
Juliana: Você! É engraçado saber que fica incomodado com o trabalho. 
Neymar: Ah, Ju! Eles só andam em círculos às vezes. No instituto por exemplo, meu pai até consegue alcançar as expectativas, mas é difícil demais fazer os comitês seguirem algumas instruções. Minha mãe fica sempre no pé do meu pai para que ele dê mais dinheiro pra educação, porque acha que quanto mais tiver, menores as chances de surgirem criminosos, e eu concordo com ela. Mas meu pai nunca é forte o bastante pra equilibrar verbas de áreas que poderiam passar muito bem com menos recursos. Fico puto, mas minha opinião às vezes é facilmente desprezada. - O Neymar pôs os cotovelos nos joelhos e apoiou a cabeça nas mãos, parecia cansado. Eu estava vendo um pouco do mundo dele, que ficava além de toda imaginação. Como alguém poderia rejeitar a opinião dele, se o mesmo era o principal contribuinte para toda aquela vida?
Juliana: Sinto muito. Mas veja o lado positivo, você terá mais voz no futuro. - tentei encorajá-lo.
Neymar: Eu sei, digo isso a mim mesmo. Mas porque não mudar as coisas agora quando simplesmente podem?
Juliana: Bem, não fique tão desmotivado. Sua mãe tá no caminho certo, mas educação não vai resolver nada por si só. - Ele levantou a cabeça.
Neymar: O que você quer dizer? - Seu tom era quase de acusação, o que era justo. Ali estava a ideia que ele vinha defendendo e eu a destruí. Tentei temporizar.
Juliana: Bem, comparando a educação que seu âmbito tem, com as de moradores de favelas e periferias, as deles são uma lástima. Acho que incentivar e investir em mais instalações fariam um bem imenso. Mas e o que dizer dos pobres miseráveis? Não é dessa classe que todo mundo diz sair a maioria dos criminosos? A maioria não recebe nenhuma educação. Se resgatassem essas crianças pra receberem um pouco, um pouquinho que fossem, talvez ficariam mais motivados. - Fiz uma pausa e retomei. Além disso... Você já sentiu fome, Neymar? Não aquela fome antes do jantar, mas fome de verdade? Se aqui não tivesse absolutamente nenhuma comida, nada para seu pai e para sua mãe, e você soubesse que podia pegar um pouco das pessoas que comem mais em um dia do que você vai comer a vida inteira... O que faria se sua família estivesse contando com você? O que faria por alguém que ama?
Neymar: Juliana, não estou negando que a vida de algumas pessoas seja dura, mas roubar é...
Juliana: Feche os olhos, Neymar.
Neymar: o que?
Juliana: Feche os olhos. - Ele fez uma cara feia, mas obedeceu. Antes de começar, esperei até seus olhos estarem completamente fechados e seu rosto parecer mais leve. Em algum lugar desta mansão está a mulher que será a sua mulher. - notei que sua boca tremeu, esboçando um sorriso de esperança. Talvez você ainda não saiba quem ela é, mas pense nas garotas do concurso. Imagine aquela que mais gosta, imagine "sua gatinha". - A mão dele estava do lado da minha, e seus dedos resvalaram nos meus por um momento. Puxei a mão.
Neymar: Desculpe! - murmurou abrindo os olhos na minha direção.
Juliana: Fechados! - ele deu uma risadinha e voltou à posição de antes. Imagine que essa garota depende de você, e vocês vivem como se essa sua realidade nunca existisse. Como se tivesse caído de paraquedas no meio do país para bater de porta em porta em busca de alguém, e mesmo assim a encontrasse. Ela seria sua escolhida. - o sorriso esperançoso voltou a surgir e se alargou logo depois. Ela precisa que você cuide dela, que a proteja. E se chegasse o dia em que não houvesse absolutamente nada pra comer, a noite em que você não pudesse nem dormir porque o ronco do estômago dela não permitisse...
Neymar: Para! - ele levantou de uma só vez, deu alguns passos pelo corredor e estacou, com o rosto virado na direção oposta de onde eu estava. Fiquei chateada comigo mesma, não sabia que ele ficaria tão perturbado. 
Juliana: desculpe - disse em voz baixa. Ele acenou com a cabeça, mas continuou olhando para a parede. Depois, voltou-se na minha direção. Seus olhos tristes e cheios de dúvidas buscavam os meus.
Neymar: É mesmo assim?
Juliana: o quê?
Neymar: Lá fora... isso acontece? as pessoas sentem fome muitas vezes?
Juliana: Neymar, eu...
Neymar: conta a verdade. - os traços do seu rosto estavam firmes. 
Juliana: sim, acontece. Sei de famílias que abrem mão de seu prato de comida para dar aos filhos ou irmãos menores. Sei de um menino que foi espancado por roubar comida. Às vezes as pessoas cometem loucuras quando estão desesperadas, principalmente crianças.
Neymar: Um menino? Quantos anos?
Juliana: Nove. - disse sentindo calafrios , ainda podia me lembras do corpo quente do Pedrinho, após os golpes. O Neymar esticou o corpo, como se ele mesmo tivesse apanhado.
Neymar: E você? Já passou por isso? - baixei a cabeça, o que já era uma pista sobre os tempos difíceis lá em casa, mas não queria falar disso com ele. Como?
Juliana: falar disso só vai te deixar irritado. 
Neymar: Provavelmente. - disse com ar sério. Mas agora percebo o quanto desconheço a verdadeira realidade das minhas próprias crianças. Não vim de berço de ouro, claro, todos sabem disse. Mas minha situação de antes, não é nada comparada à isso que você me contou. - suspirei. Não queria vê-lo irritado, precisava mudar o rumo da conversa, deixá-la positiva.
Juliana: Apesar de toda a realidade, sei que os cheques que recebemos nas últimas semanas ajudaram muito. Minha família sabe muito bem lidar com dinheiro, tenho certeza que a situação de saúde da minha mãe já está encaminhada. Você tem feito muito por nós, Neymar. - tentei sorrir pra ele, mas sua expressão continuou a mesma.
Neymar: Caraca, quando disse que tava aqui só pela comida, então não tava brincando. - balançou a cabeça.
Juliana: É sério Neymar, eu tô bem. Eu... - não consegui terminar a frase, ele se inclinou e beijou minha testa.
Neymar: Vejo você no jantar.












Oi meninas! Capítulo anãozinho, só para amenizar o tempinho que fiquei sem postar. Fiquei sem internet aqui em casa por uns dias, então não deu pra atualizar o blog. Peço desculpas desde já!!! Obrigada por todos os comentários e incentivos dados à história, fico extremamente feliz que estejam gostando da adaptação o/
Sobre o problema de não conseguirem comentar em anônimo, eu já resolvi, mas se alguém ainda não estiver conseguindo, me avise que a gente tenta resolver. Já estou adiantando o próximo capítulo, mas resolvi liberar esse pedacinho logo porque estou na correria de semanas de prova e não vou confiar no meu (inexistente) tempo e acabar deixando vocês na mão. Continuem por aqui com a Ju nessa seleção, tenho certeza que ela adora o apoio de vocês, beijinhos! 

12 comentários:

  1. Adoro quando eles fazem sinal um pro outro pra se encontrarem, ja shippo kkkk continuaaaa <3

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  2. Que fofo eles dois, já shippo muito

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  3. Ja posso shippar esse casal? Posso sim e se reclamarem, shippo mais ainda ❤ ansiosa pro dia em que esses dois vão cair na real que se gostam e tem q ficar juntos!!

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  4. Ja posso shippar esse casal? Posso sim e se reclamarem, shippo mais ainda ❤ ansiosa pro dia em que esses dois vão cair na real que se gostam e tem q ficar juntos!!

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  5. Cada capítulo que passa eu tenho maos certeza de que ela está apaixonada por ele e ele por ela. Quero mais! Vc ta arrasando

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