"Já estava arrependida, por um segundo acreditei que ele pudesse gostar de mim."
Lá estava eu, enfileirada com as outras garotas, mexendo os pés de um lado para o outro.
Silvia: Juliana! - foi o bastante para eu entender que meu comportamento estava sendo ruim. Como ela era a nossa principal tutora na Seleção, levava muito a sério tudo o que fazíamos. Tentei sossegar. Talvez, se Neymar já estivesse aqui, não fosse tão ruim. Mas talvez eu ficasse mais ansiosa. Ainda não compreendia por que, depois de tudo, ele não tivera tempo para mim nos últimos dias.
Silvia: Eles chegaram! - Não fui a única a soltar um suspiro aliviado. Tentamos ser as jovens adoráveis que Silvia desejava, mas tudo ruiu no instante em que os pais de Kriss e Marlee entraram pela porta. Eu sabia que ambas eram apenas crianças, e era óbvio que seus pais estavam com saudades demais para se importarem com comportamento. Eles correram aos berros, e Marlee saiu da fila sem parar para pensar. Os pais de Celeste foram mais discretos, embora tenham ficado claramente emocionados aos ver a filha. Celeste também saiu da fila, mas de um modo muito mais civilizado que Marlee. Sequer notei os pais de Natalie ou Elisa, porque uma figura baixinha de cabelos castanhos brilhava ao pé da porta com olhos inquietos olhando pra todos os lados.
Juliana: Victória!!! - Ela ouviu meu chamado, viu meu braço acenando e logo correu para mim. Minha mãe, meu pai e o Lucas a seguiram.
Silvia: Eles chegaram! - Não fui a única a soltar um suspiro aliviado. Tentamos ser as jovens adoráveis que Silvia desejava, mas tudo ruiu no instante em que os pais de Kriss e Marlee entraram pela porta. Eu sabia que ambas eram apenas crianças, e era óbvio que seus pais estavam com saudades demais para se importarem com comportamento. Eles correram aos berros, e Marlee saiu da fila sem parar para pensar. Os pais de Celeste foram mais discretos, embora tenham ficado claramente emocionados aos ver a filha. Celeste também saiu da fila, mas de um modo muito mais civilizado que Marlee. Sequer notei os pais de Natalie ou Elisa, porque uma figura baixinha de cabelos castanhos brilhava ao pé da porta com olhos inquietos olhando pra todos os lados.
Juliana: Victória!!! - Ela ouviu meu chamado, viu meu braço acenando e logo correu para mim. Minha mãe, meu pai e o Lucas a seguiram.
Victória: Ju! Não acredito! - ela gemeu, com a voz repleta de admiração. Você está tão, tão linda!
Não consegui falar. Mal podia vê-la, eu chorava tanto. Momentos depois, senti os braços firmes de meu pai envolvendo ambas. Em seguida, minha mãe e Lucas se juntou a nós, e logo formávamos um todo, abraçados na mansão.
Não consegui falar. Mal podia vê-la, eu chorava tanto. Momentos depois, senti os braços firmes de meu pai envolvendo ambas. Em seguida, minha mãe e Lucas se juntou a nós, e logo formávamos um todo, abraçados na mansão.
Juliana: Estou tão feliz de vocês estarem aqui.
Lucas: Também estamos, gatinha. Não dá para dizer o quanto sentimos sua falta - falou e concluiu com um beijo em minha cabeça. Me virei para abraçá-lo melhor. Até aquele momento, ainda não tinha percebido o quanto eu precisava vê-los.
Abracei minha mãe por último. Eu estava chocada por ela estar tão quieta; era incrível que ainda não tivesse falado do meu "sacrificio" (como diz ela) por eu estar aqui. Mas quando a olhei, vi as lágrimas em seus olhos.
Andressa: Você está tão linda, querida. Parece uma princesa. - Sorri. Era bom não ouvir somente perguntas e ordens dela, pelo menos uma vez. Naquele momento, ela estava apenas feliz. E isso significava muito para mim, porque eu também estava.
Reparei que Victória olhava para alguma coisa por cima do meu ombro.
Victória: É ele - cochichou.
Juliana: Quem? - perguntei, me inclinando para ela. Virei para trás, Neymar nos observava detrás da grande escadaria. Com um sorriso maravilhado, ele abriu caminho para onde estávamos. Meu pai se endireitou rapidamente.
Joaquim: Neymar - sorriu e o Neymar foi ao seu encontro com a mão esticada.
Neymar: Seu Joaquim, é uma honra. Ouvi tanto a seu respeito. E é um prazer conhecê-la também, senhora Andressa
Andressa: O prazer é meu e me desculpe pela bagunça - disse, apontando para o chão, onde Victória e eu permanecíamos abraçadas. Neymar riu.
Neymar: Não é nada. Não esperaria menos entusiasmo de qualquer pessoa que seja ligada à Juliana. - Com certeza minha mãe ia querer explicações sobre isso mais tarde. E você deve ser Victória, não é? - Ela corou ao estender a mão a ele; esperava um aperto de mão, mas ganhou um beijo. Nunca te agradeci por não ter chorado - brincou.
Victória: O quê?
Neymar: Ninguém disse a você? - ela negou e ele riu radiante. Graças a você, ganhei meu primeiro encontro com sua prima Estarei sempre em dívida com você.
Victória: Bom, de nada, acho - riu.
Neymar: Preciso conhecer os outros, mas por favor, me esperem aqui, quero falar com todos. Estou muito feliz por terem vindo.
Victória: Ele é ainda mais bonito pessoalmente - cochichou alto; e eu pude notar que Neymar ouviu, pelo leve chacoalhar de sua cabeça. Ele passou à família de Elisa, de longe a mais refinada do grupo. Seus irmãos mais velhos pareciam mais rígidos que o seu Neymar. Fiquei imaginando se tinha sido Elisa que os tinha mandado agir assim ou se era mesmo o jeito deles. Ao lado deles, Natalie e sua lindíssima irmã mais nova cochichavam com Kriss enquanto seus pais se cumprimentavam.
Andressa: O que quer dizer isso de ele esperar entusiasmo de nós? - minha mãe perguntou em voz baixa. É porque você gritou com ele quando se encontraram? Você não fez mais isso, fez? - soltei um suspiro e ri.
Juliana: Na verdade, mãe, a gente discute quase sempre.
Andressa: O quê? - ela perguntou, de queixo caído. Pois pare com isso, Juliana!
Juliana: Ah, e eu dei uma joelhada nas partes dele uma vez. - Ficamos em silêncio por uma fração de segundo, até Lucas explodir numa gargalhada. Ele cobriu a boca e tentou parar, mas as risadas continuaram a sair, fazendo uns sons estranhos. Meu pai apertava os lábios, mas dava para notar que ele estava a ponto de também deixar escapar gargalhadas. Minha mãe estava mais branca que a neve.
Andressa: Diz que isso é piada, minha filha, diz que você não atacou ele, por favor. - Não sei por que, mas a palavra “ataque” foi a gota d’água: Victória, Lucas, meu pai e eu começamos a rir até doer a barriga, enquanto minha mãe nos encarava.
Juliana: Desculpa, mãe. - prendi o riso.
Andressa: Ai, meu Deus. - E, de repente, minha mãe pareceu superanimada para conhecer os pais de Marlee, e eu não a impedi.
Joaquim: Então ele gosta de mulheres que não baixam a cabeça - disse meu pai, assim que sossegamos. Já passei a gostar mais dele. - Meu pai correu os olhos pelo lugar, contemplando a mansão; eu permaneci ao seu lado, tentando entender suas palavras. Será que algum dia ele ia se opor nos meus relacionamentos? Por algum motivo, me senti mil vezes mais estressada. Apesar de todos os holofotes encima do Neymar, percebi que existia a possibilidade de meu pai não gostar dele. Meu pai não era má pessoa, não saía por aí fazendo coisas ruins e espalhando ódio. Mas eu sabia que ele não gostava do jeito como as coisas eram feitas. E se ele dissesse que eu não deveria ficar com ele? Antes de eu me perder em pensamentos, Neymar subiu alguns degraus na escada para poder ver todos nós.
Neymar: Gostaria de agradecer a todos por terem vindo. Estamos muito contentes de recebê-los em nossa casa, não apenas para comemorar o Halloween, mas também para nos conhecermos. Sinto muito por meus pais não terem conhecido vocês agora também, eles tiveram alguns imprevistos, mas vocês os conhecerão em breve. As mães, irmãs e meninas da Elite estão convidadas para um lanche com minha mãe e minha irmã esta tarde, no Salão das garotas. Já os rapazes, temos a sala de jogos à disposição, vou estar lá com os meninos e o meu pai, então fiquem à vontade pra se juntar à nós. As ajudantes vão levar voces aos quartos que ocuparão durante a estadia. Também temos roupas à disposição pra festa de amanhã, escolham o que quiserem. - Neymar encerrou com um aceno e saiu. Lucy surgiu ao nosso lado quase que imediatamente.
Lucy: Olá, sou Lucy, vou acompanhar vocês até os quartos.
Victória: Mas eu queria ficar com a Juliana - protestou.
Lucy: Tenho certeza de que temos um quarto tão bonito quanto o de Juliana pra você - sorriu. Você não quer ver? - Victória se virou para mim com sua cara de pidona e eu não resisti.
Juliana: Tudo bem. Talvez, com nós duas lá, Lucy tenha realmente algo para fazer de verdade. - Ela me abraçou tão forte que já valeu a pena.
Joaquim: O que mais você aprendeu?- Passei meu braço pelo dele. Ele parecia jovem e bonitão naquelas roupas chiques. Estava até mais alto.
Juliana: Acho que já te contei tudo o que ensinaram, vi na pele historias que jamais imaginaria que poderiam acontecer. Descobri que na verdade não sabia nada sobre futebol também, tu acredita? - Meu pai fez que sim com a cabeça e riu. Aqui na mansão pude conhecer a verdadeira realidade sobre a história e vida de alguém desse ramo, quer dizer de perto mesmo, sabe? Por algum motivo, a história dele era quase sempre transmitida nos programas de tv. Ouvi várias coisas diferentes, e nenhuma delas era tão completa como a que presenciei e ouvi nos últimos meses. - Não estava a fim de falar mais disso com meu pai; era uma visita esperada e não queria desperdiçá-la com esses assuntos sobre ele. Além dessas coisas, umas das muitas aulas é de etiqueta. Acho que em breve vamos usá-la para alguma coisa. Eles estão forçando bastante a matéria. Bem, vai ser útil para as garotas que ficarem, em todo o caso.
Joaquim: Ficar?
Joaquim: Ficar?
Juliana: Acontece que uma das garotas vai voltar para casa com a família. Neymar deve eliminar alguém depois de conhecer todos os pais.
Joaquim: Você não parece muito feliz com isso. Acha que ele vai mandar você para casa? - Dei de ombros. Vamos, filha. A essa altura você já deve saber se ele gosta de você ou não. Se gosta, você não tem com que se preocupar. Se não gosta, por que vai querer ficar?
Juliana: Acho que você tá certo. - Ele parou de andar.
Joaquim: E qual das duas opções é a certa? - Era meio vergonhoso falar disso com meu pai, mas também não falaria disso com minha mãe.
Juliana: Acho que ele gosta de mim. Ele diz que gosta. - Meu pai riu.
Joaquim: Então você está indo bem.
Juliana: Mas ele tem estado um pouco... distante esta semana.
Joaquim: Juliana, querida, ele é o Neymar. Provavelmente ele esteve ocupado com essa coisa de futebol ou algo do tipo. - Eu não sabia como explicar que Neymar parecia ter tempo para todas, menos para mim. Era humilhante demais.
Juliana: Acho que sim...
Joaquim: Então há uma sala escondida em algum lugar por aqui? - disse, enquanto observava as paredes de um modo todo novo.
Juliana: Pai, este lugar é maluco. Só doidera, mas naquele dia de sufoco com aquela corja, foi esses esconderijos que nos salvou.
Joaquim: Hmm, isso é verdade! Então serei cuidadoso ao fazer o caminho de volta para o meu quarto - riu.
Juliana: O que você provavelmente precisa fazer logo. Tenho que encontrar Victória e Mamãe para o lanche com a Nadine.
Joaquim: Ah, sim, você e seus lanches, verdadeira desculpa pra fofocar - brincou. Tudo bem, gatinha. Vejo você à noite no jantar. Agora... qual é o melhor jeito de evitar uma portinha secreta? - ele perguntou em voz alta e saiu com os braços esticados, para se proteger. Assim que meu pai chegou à escadaria, apoiou-se no corrimão, bem devagar.
Joaquim: só para você saber, este é seguro.
Juliana: Obrigada, pai. - gargalhei. Acenei com a cabeça e tomei o caminho do quarto. Era quase impossível não dar pulos de alegria pelos corredores: estava tão feliz de ter minha família aqui que mal podia me conter. Se Neymar não me mandasse embora, seria mais difícil do que nunca me separar deles. Dobrei a esquina para o quarto e vi a porta aberta.
Victória: Como ele era? - ouvi ela perguntar, enquanto me aproximava.
Lucy: Bonito. Pelo menos para mim. Seus cabelos eram meio ondulados e nunca ficavam arrumados. - riram. Às vezes, eu corria os dedos por eles. Penso nisso de vez em quando. Não tanto como antes. - Andei na ponta dos pés para não atrapalhá-las.
Victória: Você ainda sente saudades dele?
Lucy: Cada dia menos. Quando cheguei aqui, pensei que fosse morrer com a dor. Vivia pensando em formas de escapar da mansão e voltar para ele, mas isso nunca daria certo. Não podia abandonar meu pai. - Eu sabia pouco do passado de Lucy, de como sua família concordou pra ela trabalhar fora do país pra conseguir dinheiro de uma operação para sua mãe, que acabou falecendo. Espiei pela porta e lá estavam Victória e Lucy sobre a cama. As portas da sacada estavam abertas, e a brisa soprava quarto adentro. Vic tinha ficado muito natural com o visual, ela estava linda mesmo sentada na cama fazendo tranças no cabelo de Lucy, que estava solto. Nunca vi Lucy sem coque. Ela ficava linda assim: parecia jovem e despreocupada.
Victória: Como é amar? - Parte de mim ficou magoada. Por que ela nunca tinha me perguntado isso? Depois, me lembrei: para Vic, eu nunca tinha amado. Lucy abriu um sorriso triste.
Lucy: É a coisa mais maravilhosa e terrível que pode acontecer com você. Você sabe que encontrou algo incrível e quer levá-lo para sempre consigo. E um segundo depois de ter aquilo, você fica com medo de perder. - Deixei escapar um suspiro. Ela estava completamente certa. O amor é um medo belo. Como eu não queria pensar muito sobre perder coisas, entrei no quarto.
Juliana: Lucy! Olhe para você!
Lucy: Gostou?
Juliana: Está maravilhosa. Vic costumava fazer tranças em mim o tempo todo. Ela é muito talentosa. - vic deu de ombros. Temos que ficar prontas. É quase hora do lanche. - Vic ficou toda empolgada e já começou a se arrumar. Lucy puxou os cabelos para trás, mas conseguiu fazer o coque sem bagunçar as tranças. Eu não a culparia por querer que seu cabelo ficasse assim por um pouco mais de tempo.
Lucy: Ah, você recebeu um email, como o remetente tem que ser supervisionado por mim pra caso haja alguma violação das regras, tomei liberdade e vi que era seu tio Mauro. - me passou o notebook pra eu olhar.
Juliana: Obrigada agradeci, incapaz de esconder o espanto na voz.
A maior parte das pessoas que me escreveria estava na mansão. Abri o email e comecei a ler.
Juliana,
Descobri tarde demais que as famílias da Elite foram há pouco convidadas para conhecer a mansão e que seu pai, sua mãe Lucas e Victória foaram para visitá-la. Sei também que Ieda está ocupada demais para poder viajar. Estou tentando entender por que o convite não se estendeu a mim. Sou seu tio, Juliana.
Só consigo imaginar que sua mãe decidiu me deixar de fora. Espero muito que não tenha sido você. Nós dois – tanto você como eu – estamos próximos de grandes conquistas. Temos condições de ajudar um ao outro. Se qualquer outro privilégio especial for concedido à sua família, você tem que se lembrar de mim, Juliana. Podemos ajudar um ao outro.
Por acaso você falou de mim para o Neymar? Só por curiosidade.
Responda em breve.
Mauro.
Pensei em excluir o email. Nao imaginava que ele teria a cara de pau de me procurar agora, quando a própria irmã precisava de ajuda, ele virou as costas, agora quer tirar vantagem? Parece que não dei sorte mesmo. Arquivei o email, com a intenção de esquecê-lo completamente. A inveja dele não iria estragar a visita. Lucy me chamou e nos divertimos muito enquanto nos aprontávamos. O jeito efervescente de Victória nos animava; eu até cantei enquanto me vestia. Logo chegou minha mãe, perguntando se estava bonita, por garantia mesmo. E é claro que estava. Ela era mais baixa e cheinha que a Nadine, mas estava tão linda quanto ela. Depois de prontas, descemos as escadas. As meninas estavam animadas, todas explodindo de energia. A irmã de Natalie, Laiane, tinha quase a mesma idade de Victória; as duas se sentaram em um canto e ficaram conversando. Eu via como Laiane era parecida com minha prima. Na aparência, as duas eram magras, loiras e bonitas. Mas no ponto em que vic e eu éramos opostas, Natalie e Laiane eram idênticas. Porém, eu descreveria Laiane como menos caprichosa. Menos sem noção que sua irmã. Nadine passeava pelo salão e falava com todas as mães. Ela fazia perguntas com seu jeito doce, como se alguém ali pudesse ter uma vida mais impressionante que a dela. Eu estava em um grupinho ouvindo a mãe de Elisa falar sobre sua vida na cidade onde morava, quando Vic me puxou de canto.
Juliana: Vic, to conversando menina!
Victória: Você prexisa ver, vem! - insistiu. Ainda bem que Silvia não estava. Fomos até a janela, e ela apontou para fora. Olha!
Estiquei o olhar para além dos arbustos e vi duas figuras. A primeira era meu pai, que falava e gesticulava com as mãos como se perguntasse ou explicasse alguma coisa. A segunda era o Neymar, que fazia pausas para pensar antes de responder.
Olhei para trás. As mulheres permaneciam entretidas com a situação, mesmo a Nadine nenhuma parecia prestar atenção em nós. Ele parou em frente ao meu pai e falou de uma maneira franca. Não houve agressão ou raiva, mas ele parecia determinado. Depois de uma pausa, meu pai estendeu a mão a ele. Neymar sorriu e a apertou com entusiasmo. Logo em seguida, ambos pareciam mais relaxados, e meu pai deu um tapinha nas costas dele. Então meu pai pôs a mão nos seus ombros, como costumava fazer comigo. E o jogador pareceu gostar muito.
Juliana: O que será que quer dizer isso? - Ela encolheu os ombros.
Vic: Parece importante.
Juliana: Parece. - Esperamos para ver se o Neymar conversava com o pai de outra garota. Se conversou, não foi no jardim.
Juliana: Parece. - Esperamos para ver se o Neymar conversava com o pai de outra garota. Se conversou, não foi no jardim.
A festa de halloween foi tao incrível quanto o Neymar tinha prometido. Quando entrei no Grande Salão, com Vic do meu lado, fiquei pasma com toda aquela beleza diante de meus olhos. Tudo estava maravilhoso. Enfeites de parede, os candelabros, copos, pratos, e até a comida: tudo tinha toques dourado. Nada era menos do que magnífico. O som tocava música pop, mas, no canto do salão, uma pequena banda aguardava o momento de tocar as danças que tínhamos aprendido. Câmeras – de foto e vídeo – espalhavam-se pelo ambiente. Sem dúvida, a festa seria o destaque da mídia no dia seguinte. As fantasias estavam maravilhosas. Marlee estava de anjo, dançando com o Gil. Sua fantasia tinha até asas – pareciam feitas de papel brilhante – que pendiam das suas costas. Celeste usava um vestido curto feito de penas; a pluma comprida na parte de trás de sua cabeça indicava que a fantasia era de pavão. Kriss estava ao lado de Natalie, e ambas pareciam ter combinado: o corpete do vestido de Natalie estava coberto de flores abertas, ao passo que a saia de pregas era feita de tule azul. O vestido de Kriss era dourado como o salão e recoberto com camadas e camadas de folhas. Chutei que estavam fantasiadas de primavera e outono. Uma ideia fofa. O de Elise era de seda, um exagero perto das roupas discretas que ela costumava usar. As mangas longas e drapejadas eram dramáticas ao extremo, e sua capacidade de andar com todos aqueles enfeites na cabeça me impressionou. Elise não era de chamar a atenção, mas naquela noite estava linda, com um ar de realeza. Espalhados pelo salão, estavam parentes e amigos, também fantasiados. Vi um jogador de beisebol, um vaqueiro, alguém de terno com um crachá em que se lia GAVRIL. Um dos meninos ousou em colocar um vestido de mulher; estava rodeado por um punhado de meninas que morriam de rir.
Juliana: Então, o que você está achando? - perguntei a Vic, mas quando me virei ela já tinha desaparecido na multidão para explorar o lugar. Ela me disse que queria ir fantasiada de noiva, achei que era piada. Mas ela ficou simplesmente ótima de véu.
Jota: Oi Jú! - sussurrou no meu ouvido.
Juliana: Ai menino! Você me assustou! - reclamei, com a mão no coração como se isso fosse diminuir seu ritmo. Jota apenas riu.
Jota: Gostei da fantasia.
Juliana: Obrigada. Também gostei. - sorri. Lucy tinha me transformado em uma borboleta. Meu vestido, bem ajustado, era de um material esvoaçante, com a barra preta ondulando à minha volta. Uma máscara minúscula imitando asas de borboleta me cobria o rosto e criava um ar misterioso. Por que você não se fantasiou? - perguntei segurando o riso, já que sua fantasia era de de monstro. Não conseguiu pensar em algo?
Jota: Palhaça! - rimos. Minha beleza é natural.
Juliana: ah, claro! - fingi confirmação.
Jota: Palhaça! - rimos. Minha beleza é natural.
Juliana: ah, claro! - fingi confirmação.
Jota: Só vim dar um “oi” mesmo, ver como você estava.
Juliana: Ah, que fofinho - riu. Obrigada! - Jota se despediu com um aceno e saiu para falar com outras pessoas. Logo em seguida, Marlee e Elisa me encontraram e me arrastaram para a pista de dança. Eu balançava o corpo – com cuidado para não acertar ninguém – A Seleção transformava tanto a minha vida que eu me esquecia de apreciar esses momentos. Dancei num círculo com algumas das outras meninas e com os meninos, até que a música parou.
DJ: Boa noite galera, o dono da festa acabou de chegar! - Neymar tava descendo a escada quando os meninos foram pra cima dele na maior algazarra. A banda explodiu em música. Neymar, beirando o ridículo, estava de pirata. Sua calça estava cheia de rasgões, e ele usava uma camisa folgada com um colete por cima e uma bandana na cabeça. Para impressionar mais ainda, ele tinha ficado um ou dois dias sem se barbear, de modo que uma sombra de pelos em forma de sorriso cobria a metade de baixo de seu rosto. Enquanto as pessoas dançavam, pensei sobre a Seleção, sobre a loucura de tudo aquilo. Observei os casais, será que tinha existido algum momento em que eles se distanciaram, como eu sentia neymar se distanciar de mim? Por que ele não tinha feito sequer uma tentativa de me ver em meio aos encontros com todas as outras? Talvez seja esse o motivo de ele ter falado com meu pai: explicar por que ele precisava me mandar embora. Neymar é uma pessoa educada; certamente faria uma coisa assim. Corri os olhos pela multidão, à procura do Jota. No meio desse gesto, vi que meu pai tinha acabado de chegar; estava de braços dados com a minha mãe, no outro lado do salão. Vic estava ao pé de Marlee, que a abraçava por trás, como uma irmã; os vestidos brancos de ambas brilhavam ainda mais com a luz. Não me surpreendia o fato de as duas se darem tão bem em menos de um dia. Respirei fundo. Cadê você, Jota? Olhei para trás – era minha última tentativa – e lá estava ele, bem atrás de mim, à minha espera. Quando nossos olhos se encontraram, ele piscou para mim, e esse gesto levantou meu astral.
DJ: Boa noite galera, o dono da festa acabou de chegar! - Neymar tava descendo a escada quando os meninos foram pra cima dele na maior algazarra. A banda explodiu em música. Neymar, beirando o ridículo, estava de pirata. Sua calça estava cheia de rasgões, e ele usava uma camisa folgada com um colete por cima e uma bandana na cabeça. Para impressionar mais ainda, ele tinha ficado um ou dois dias sem se barbear, de modo que uma sombra de pelos em forma de sorriso cobria a metade de baixo de seu rosto. Enquanto as pessoas dançavam, pensei sobre a Seleção, sobre a loucura de tudo aquilo. Observei os casais, será que tinha existido algum momento em que eles se distanciaram, como eu sentia neymar se distanciar de mim? Por que ele não tinha feito sequer uma tentativa de me ver em meio aos encontros com todas as outras? Talvez seja esse o motivo de ele ter falado com meu pai: explicar por que ele precisava me mandar embora. Neymar é uma pessoa educada; certamente faria uma coisa assim. Corri os olhos pela multidão, à procura do Jota. No meio desse gesto, vi que meu pai tinha acabado de chegar; estava de braços dados com a minha mãe, no outro lado do salão. Vic estava ao pé de Marlee, que a abraçava por trás, como uma irmã; os vestidos brancos de ambas brilhavam ainda mais com a luz. Não me surpreendia o fato de as duas se darem tão bem em menos de um dia. Respirei fundo. Cadê você, Jota? Olhei para trás – era minha última tentativa – e lá estava ele, bem atrás de mim, à minha espera. Quando nossos olhos se encontraram, ele piscou para mim, e esse gesto levantou meu astral.
Assim que a música terminou, todos fomos à pista de dança. Osmeninos passavam de lá para cá e logo arrumavam um par. Neymar permanecia em pé, no canto, com Kriss e Natalie. Fiquei na esperança de que ele me tirasse para dançar. Eu é que não ia chamá-lo. Controlei os nervos, ajeitei o vestido e andei em direção a ele. Decidi ao menos lhe dar a chance do convite. Abri caminho pela pista de dança com a intenção de entrar na conversa dos três. Já estava perto o bastante para dizer algo quando ele olhou para Natalie.
Neymar: Quer dançar? - Ela riu e inclinou a cabeça para o lado como se sua resposta fosse a coisa mais óbvia do mundo. Já eu, passei reto por eles, com os olhos cravados na mesa de chocolates, como se ela fosse meu destino desde o começo. Fiquei de costas para todos enquanto comia aqueles doces maravilhosos, com a esperança de que ninguém reparasse em minhas bochechas vermelhas. Depois de umas seis músicas, o Gil chegou perto de mim.
Gil: Jú, quer dançar? - ele já estava alegre. Me senti contaminada por seu entusiasmo e não pensei duas vezes antes de pegar em sua mão.
Juliana: Mas é claro - sorri. Mas já vou avisanso de que não sou muito boa.
Gil: Não tem problema, a gente vai devagar. - riu. Seu sorriso era tão convidativo que eu nem me preocupei com a minha péssima aptidão para dança. Me deixei levar alegremente para a pista. A música erabem alto astral, assim como a personalidade dele. Ele falou o tempo todo e foi difícil acompanhar seu ritmo. Você parece completamente recuperada da nossa trombada do outro dia - brincou.
Juliana: Foi uma pena você não ter me machucado, se estivesse de muletas, pelo menos não precisaria dançar. - Ele riu.
Gil: Você é foda, tem razão de ser a preferida dele.
Juliana: Não to sabendo disso não. - Parte de mim ficava com muito ódio quando as pessoas falavam isso. Outra parte ansiava para que ainda fosse verdade. Olhei por cima do ombro do Gil e vi o Jota e a Celeste dançando. Senti um nó no estômago. Quase fiquei no soro de tao cansada depois da música e fui sentar em uma das muitas mesas espalhadas pelo salão. Peguei uma bebida e comecei a me abanar com um guardanapo enquanto observava as pessoas dançarem na pista. Vi Neymar com Elise. Pareciam felizes em meio aos rodopios. Ele já tinha dançado duas vezes com ela e nada de vir atrás de mim. Levei tempo para descobrir onde Jota estava no salão; Por fim, o encontrei em um canto, conversando com Celeste. Ela piscava para ele com um sorriso charmoso nos lábios. Quem ela pensava que era? Roubando meu amigo na cara de pau. Já estava me preparando pra dar na fuça dessa garota, mas pensei bem. Me sentei novamente e voltei a beber meu suco. Quando a música acabou, andei rapidamente na direção dele. Queria ficar próxima o bastante para que ele pudesse me tirar para dançar. Foi o que ele fez. E foi bom, porque acho que eu não teria conseguido segurar meu gênio.
Juliana: Não me faça ter uma decepção com você, menino! Que diabos foi aquilo? - perguntei em voz baixa, mas claramente indignada.
Jota: Aquilo o que? - falou segurando o riso.
Juliana: Celeste! Todo mundo, menos ela Jota! Ainda por cima se esfregando em você!
Jota: Alguém está com ciúmes - gargalhou.
Juliana: vou dar o ciúmes na sua lata! Essa garota não vale nada. E outra que é contra as regras.
Jota: Quanta implicância, juju! - Fiz uma careta de raiva.
Juliana: você sabe que é verdade!
Juliana: você sabe que é verdade!
Jota: bobinha, relaxa! É claro que eu sei. E você e o Juninho? - Respirei fundo e confessei.
Juliana: Ele tem me evitado. Diz oi e tal, mas tem dado muita atenção às outras meninas ultimamente. Acho que cheguei a pensar que ele gostava de mim de verdade.
Jota: Desculpa Jú, não tinha percebido.
Juliana: que nada, me sinto a mais idiota.
Jota: Acredite em mim, Ju, qualquer homem que deixe passar a chance de ficar com você é o idiota de verdade.
Juliana: bobagem - olhei por cima do ombro dele e vi Neymar dançando com Kriss. De novo. Por acaso, ele não me chamaria nem para uma dança? A música seguinte começou a tocar e um cara que estava próximo me chamou para dançar. A noite continuou, e mais de uma vez me peguei caçando Neymar com o olhar. Embora eu tentasse parecer natural, apostaria que qualquer pessoa atenta teria notado, em especial meu pai, se estivesse no salão. Mas ele parecia mais interessado em passear pela mansão em vez de dançar. Tentei me distrair com a festa e provavelmente dancei com todos os garotos do salão, exceto ele. Me sentei pra descansar meus pés exaustos, e foi nesse momento que ouvi uma voz ao meu lado.
Neymar: Ju? - Me virei, e ele continuou. Quer dançar comigo? - O sentimento, aquela coisa impossível de definir, percorreu meu corpo. Por mais rejeitada que me sentisse, por mais vergonha que tivesse passado, quando ele me ofereceu aqueles instantes com ele, tive que aceitar.
Juliana: Claro. - Ele tomou minha mão e me conduziu à pista. A banda começou a tocar uma música lenta. Senti uma pontada de felicidade. Ele não parecia irritado ou incomodado. Pelo contrário, Neymar me puxou para tão perto de si que pude sentir seu perfume e sua barba rala contra minha bochecha. Fiquei imaginando se conseguiria ao menos uma dança com você - tentei soar brincalhona. Ele deu um jeito de me puxar ainda mais para si.
Neymar: Eu tava esperando este momento. Passei um tempo com todas as outras garotas para acabar logo com minhas obrigações. Agora, posso desfrutar do resto da noite com você. - Corei, como sempre acontecia quando ele me dizia coisas assim. Às vezes, suas palavras eram como poemas de um verso só. Não me lembro de tê-lo ouvido falar assim comigo ao longo da semana anterior. Meu coração acelerou. Você está perfeita, Jú. Linda demais para estar nos braços de um pirata desleixado. - Achei graça.
Juliana: Mas que fantasia você usaria para combinarmos? De árvore?
Neymar: No mínimo, de algum tipo de arbusto.
Juliana: Pagaria para ver você vestido de arbusto! - falei, entre risos.
Neymar: Ano que vem.
Juliana: Ano que vem?
Juliana: Ano que vem?
Neymar: Você quer? Quer outra festa de Halloween no próximo mês de outubro?
Juliana: E eu vou ta aqui no próximo mês de outubro? - Ele parou de dançar.
Neymar: E por que não estaria? - Encolhi os ombros.
Juliana: Você me evitou a semana toda. Saiu com outras meninas. E... vi você e meu pai conversando. Pensei que talvez você estivesse lhe contando que teria de dar um pé na filha dele. - Engoli em seco. Não ia chorar ali.
Neymar: Juliana.
Juliana: Entendi. Alguém tem que sair. Eu sou um pé no saco, Marlee é a favorita do povo...
Neymar: Para, juliana chega! Eu sou um idiota. Não fazia ideia de que você veria as coisas assim. Pensei que você estava segura na sua condição. - Havia algo aí que ainda não fazia sentido para mim. Ele respirou fundo. Você quer saber a verdade? Eu estava tentando dar uma chance para as meninas competirem. Desde o começo, só olhava para você, só queria você. Quando você me revelou seus sentimentos, fiquei tão aliviado que parte de mim não acreditou. Ainda me esforço para aceitar que aquilo foi real. Você ficaria surpresa se soubesse como é raro eu conseguir algo que eu realmente queira de verdade. - Os olhos dele escondiam alguma coisa, uma tristeza que ele não estava preparado para expressar. Ele afastou aqueles pensamentos e continuou sua explicação. Tinha medo de estar errado, de você mudar de ideia a qualquer minuto. Procurei uma alternativa adequada, mas a verdade é... que só existe você. Talvez eu não esteja procurando de verdade, talvez elas não sirvam para mim. Não importa. Só sei que quero você. E isso me assusta. Esperava que você fosse voltar atrás, implorar para sair. - Levei uns momentos para recuperar o fôlego. De repente, todo aquele tempo afastada dele me pareceu diferente. Compreendia essa sensação: de que era bom demais para ser verdade, bom demais para confiar. Me sentia assim todos os dias em que estava com ele.
Juliana: Neymar, isso não vai acontecer - sussurrei, com a boca próxima ao pescoço dele. No máximo, você vai perceber que não sou boa o suficiente. - Os lábios dele chegaram ao meu ouvido.
Neymar: Você é perfeita. - Puxei-o contra meu peito, e ele fez o mesmo. Ficamos mais próximos do que nunca. No fundo da minha mente, uma voz me dizia que estávamos em um salão lotado, que ali, em algum lugar, estava minha mãe, provavelmente desmaiando com a cena. Mas nada importava. Naquele momento, parecíamos ser as únicas duas pessoas no mundo. Afastei um pouco o rosto para ver ele, e percebi que para isso teria que limpar as lágrimas dos olhos. Só que eu gostava daquelas lágrimas. Neymar explicou tudo. Quero que as coisas aconteçam no tempo certo. Vou anunciar a dispensada de amanhã, para a alegria do povo e de meu pai. Não quero apressá-la, de forma alguma. Em breve, quando eu encerrar a Seleção, quando pedir sua mão em casamento, quero que isso seja tão fácil quanto respirar para você. Prometo fazer tudo que estiver ao meu alcance para que as coisas sejam assim. O que você precisar, o que você quiser: basta dizer, e farei tudo que puder para ajudá-la. Isso incluiu ajudar sua mãe! - Fiquei chocada. Ele me entendia tão bem. Sabia como eu estava nervosa com aquele compromisso, como me amedrontava a perspectiva de ser mulher dele. Ele estava disposto a me dar até o último segundo que podia e, até lá, me encher de todos os presentes possíveis. Tive outra vez a sensação de que era impossível crer que aquilo estava acontecendo.
Neymar: Você é perfeita. - Puxei-o contra meu peito, e ele fez o mesmo. Ficamos mais próximos do que nunca. No fundo da minha mente, uma voz me dizia que estávamos em um salão lotado, que ali, em algum lugar, estava minha mãe, provavelmente desmaiando com a cena. Mas nada importava. Naquele momento, parecíamos ser as únicas duas pessoas no mundo. Afastei um pouco o rosto para ver ele, e percebi que para isso teria que limpar as lágrimas dos olhos. Só que eu gostava daquelas lágrimas. Neymar explicou tudo. Quero que as coisas aconteçam no tempo certo. Vou anunciar a dispensada de amanhã, para a alegria do povo e de meu pai. Não quero apressá-la, de forma alguma. Em breve, quando eu encerrar a Seleção, quando pedir sua mão em casamento, quero que isso seja tão fácil quanto respirar para você. Prometo fazer tudo que estiver ao meu alcance para que as coisas sejam assim. O que você precisar, o que você quiser: basta dizer, e farei tudo que puder para ajudá-la. Isso incluiu ajudar sua mãe! - Fiquei chocada. Ele me entendia tão bem. Sabia como eu estava nervosa com aquele compromisso, como me amedrontava a perspectiva de ser mulher dele. Ele estava disposto a me dar até o último segundo que podia e, até lá, me encher de todos os presentes possíveis. Tive outra vez a sensação de que era impossível crer que aquilo estava acontecendo.
Juliana: isso não é justo Neymar - murmurei. O que eu poderia te dar em troca? - Ele sorriu.
Neymar: Tudo o que quero é você, fica comigo mulher! Me promete que vai ficar.
Juliana: Claro que prometo. - Depois disso, apoiei a cabeça sobre seu ombro e dançamos agarrados uma música atrás da outra. Houve um momento em que meu olhar e o de Vic se cruzaram; ela parecia prestes a morrer de felicidade por nos ver juntos. Minha mãe e meu pai também nos viram, sendo que meu pai sacudia a cabeça como se dissesse “e você achando que ia ser mandada embora”. E então algo me veio à cabeça. Neymar?
Neymar: Oi gatinha - Ser chamada daquele jeito me fazia sorrir, era um apelido idiota, mas que ele fazia questão de usar comigo.
Juliana: O que você estava conversando com meu pai? - ele achou graça na pergunta.
Neymar: Ele sabe das minhas intenções. E saiba que ele as aprova de coração, desde que você seja feliz. Foi essa a única condição dele. Assegurei a ele que faria tudo o que estivesse ao meu alcance para vê-la feliz, aliás disse que você já parecia muito contente de estar aqui.
Juliana: E estou. - Senti o peito dele inflar.
Neymar: Então ele e eu já temos o que precisamos. - A mão do Neymar deslizou para o fim das minhas costas, me incentivando a não me afastar dele. Seu toque me revelava tantas coisas. Eu sabia que aquilo era real, que estava acontecendo, que eu podia acreditar. Eu sabia que abriria mão das amizades feitas na mansão se necessário, embora tivesse certeza de que Marlee não se importaria nem um pouco com a derrota. Teria que apagar qualquer mal entendido e deixar meu coração novinho, porque então eu era dele. Eu sabia. Nunca estive tão certa. Pela primeira vez, eu via. Via o corredor, os convidados se levantando, e ele de pé, na outra ponta. Graças àquele toque, tudo fazia sentido. A festa avançou pela madrugada, até Neymar arrastar nós seis para a sacada na frente da mansão para que pudéssemos ter a melhor visão dos fogos de artifício. Celeste tropeçava pelos degraus de mármore, enquanto Natalie tinha arranjado um chapéu de algum dos convidados. O champanhe rolava solto, e Neymar comemorava antecipadamente nosso noivado com uma garrafa apenas para ele. Assim que os fogos iluminaram o céu, ele ergueu sua garrafa.
Neymar: Um brinde! - Nós erguemos as taças e esperamos ansiosas. Notei que a taça de Elisa estava manchada com o batom preto que ela tinha usado. Até mesmo Marlee levantava sua taça, discretamente, bebericando em vez de dar goles grandes. A todas vocês, e à minha futura mulher!
As garotas vibraram; cada uma pensou que o brinde era para si. Só que eu sabia a verdade. Quando todas baixaram as taças, vi Neymar – meu quase noivo – me dando uma piscadela antes de beber mais um gole de champanhe. O brilho e a emoção ao longo da noite inteira eram estonteantes. Era como se uma fogueira de felicidade me engolisse por completo. Não podia imaginar nada forte o bastante para roubar aquela felicidade.
