quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Capítulo 11: " Descobri que sou um completo fracasso em ficar longe de você."




 "Às vezes uns pensamentos me diziam que não, mas na hora seu sorriso me dizia sim"



 Permaneci imóvel por uns instantes, ouvindo o som da respiração do Neymar. Estava cada vez mais difícil encontrá-lo em um momento calmo, aproveitei aquele momento ao máximo, agradecendo por ele estar, aparentemente, em sua melhor forma enquanto estávamos a sós. Desde que a Seleção conta agora com apenas seis garotas, ele está mais ansioso que no começo, quando as trinta e cinco chegaram de uma vez. Imaginei que talvez ele tivesse pensado que teria mais tempo para fazer suas escolhas. E devo reconhecer, apesar de me sentir culpada, que era por minha causa que ele tinha esse desejo. Neymar Júnior, craque de Barcelona e do Brasil, gostava de mim. Ele me falou na semana passada que se eu dissesse, sem nenhuma ressalva, que me importava com ele assim como ele se preocupava comigo, toda essa história de competição estaria acabada. Eu até considerava essa ideia, ficava imaginando como seria pertencer a ele. Mas o problema é: Neymar não me pertencia, pra começo de conversa. Havia mais outras cinco meninas comigo – meninas com quem ele saía e cochichava coisas – e eu não sabia o que pensar disso. E também havia o fato de que aceitar o Neymar significava ter que aceitar toda essa vida, uma ideia que eu tendia a ignorar, até por não saber ao certo como isso me afetaria...
 Conforme ele mexia a cabeça devagar, respirando sobre meus cabelos, eu pensava: como seria se eu simplesmente amasse ele? 
Neymar: Sabe quando foi a última vez que olhei de verdade pras estrelas? - Estávamos deitados sobre uma toalha no terraço. Aconcheguei-me mais pro lado dele, tentando me manter aquecida na noite fria de Barça.
Juliana: Não faço ideia. 
Neymar: O Davi disse que gostava, então li sobre astronomia há alguns meses. Quando vemos as estrelas mais de perto, percebemos que na verdade elas têm cores diferentes.
Juliana:  Calma lá, a última vez que você olhou pras estrelas foi pra estudá-las? E a diversão? - ele riu.
Neymar: Diversão... vou ter treinos intensivos e um grande campeonato pela frente, ah e ainda tem as reuniões orçamentais, coisa que eu sou péssimo! 
Juliana:  E no que mais você é péssimo? 
Neymar: Por que quer saber isso? 
Juliana: Porque ainda sei pouco sobre você. E você parece ser bom em tudo, seria ótimo ter uma prova do contrário.
Neymar:  Você sabe que não sou. 
Juliana: Mas tá quase lá. - Nossos corpos se tocavam de leve. Joelhos, braços, dedos. Ele balançou a cabeça com um sorriso nos lábios.
Neymar: Ok, ok. Não consigo planejar coisas, sou péssimo nisso! E acho que seria um cozinheiro horrível. Nunca cozinhei, logo... 
Juliana: Nunca? 
Neymar: Talvez você já tenha notado a multidão de pessoas que trabalham para manter a sua barriga cheia de bolos e doces... Por acaso, são eles que me alimentam também. - Achei graça. Em casa, eu ajudava a preparar praticamente todas as refeições.
Juliana:  Mais. No que mais você é ruim? - Ele me abraçou forte, e pude ver um segredo brilhar em seus olhos. 
Neymar:  Descobri uma coisa recentemente... 
Juliana: Conte.
Neymar:  Descobri que sou um completo fracasso em ficar longe de você. Um problema muito grave, aliás. - Sorri.  
Juliana: Você já tentou? - ele  fingiu pensar.
Neymar: Bem, não. E não espere que eu vá começar. - Rimos baixo, abraçados. Era tão fácil, nesses momentos, me imaginar assim pelo resto da vida. O barulho de passos anunciava a chegada de alguém. Embora nossa situação fosse completamente aceitável, fiquei um pouco encabulada e me sentei rapidamente. Ele fez o mesmo assim que o Jota contornou a cerca pra chegar até nós.
Jota: Desculpa atrapalhar, mas tem um fotógrafo no condomínio, se não quiserem invasão de privacidade, é melhor entrarem. 
Neymar: Tudo bem, pelo contrato eles podem ficar aqui pelo condomínio né? - suspirou. Valeu Jota, já vamos entrar. - assenti pro Jota em agradecimento e ele saiu.  Outro defeito meu: estou perdendo a paciência com essas invasões!
 Neymar se levantou e me ofereceu a mão. Levantei também e reparei na frustração em seus olhos. Desde o começo da seleção fui incluída nesse mundo dele, provei um pouco de como é essa vida. Mesmo com minha experiência mínima, eu podia compreender seu cansaço. Ele recolheu a toalha e começou a sacudi-la. Era claro que ele não estava feliz com aquele fim antecipado da noite.
Juliana:  Ei - o fiz me olhar. Eu me diverti. - Ele concordou com a cabeça. É sério - continuei, me aproximando, ele segurou a toalha com uma das mãos e passou o braço livre em volta da minha cintura. Devíamos fazer isso outras vezes. Você podia me dizer quais são as cores de cada estrela, porque eu realmente não consigo ver diferença de uma pra outra. - ele sorriu, triste.
Neymar: Gostaria que as coisas fossem mais fáceis às vezes. Normais. - Virei pra ele e o abracei. A toalha caiu e ele retribuiu o gesto. 
Juliana: Odeio ter que lhe contar isso, estrelinha, mas mesmo sem os fotógrafos você está bem longe de ser normal. - Sua expressão ficou mais relaxada, mas ainda séria.
Neymar: Você iria gostar mais de mim se eu fosse normal? 
Juliana: Sei que é difícil pra você acreditar, mas eu realmente gosto de você do jeito que você é. Só preciso de mais... 
Neymar: Tempo. Eu sei. E tô pronto pra dar o tempo necessário a você. Só gostaria de ter certeza de que você vai mesmo querer estar do meu lado quando esse tempo acabar. - Desviei o olhar. Aquilo eu não podia prometer. Toda hora, eu olhava pro meu coração e me questionava sobre ele, mas ainda não podia.
Juliana: Neymar - sussurrei, após notar que ele estava se sentindo rejeitado por eu não ter respondido. Não posso dizer isso. Mas o que posso dizer é que quero estar com você. Quero saber se há possibilidade de... de... - gaguejei, sem saber ao certo como me expressar.
Neymar: Nós? - Sorri, feliz por ver como tinha sido fácil pra ele me entender.
Juliana:  Sim. Quero saber se há a possibilidade de existir um “nós”. - Ele ajeitou meus cabelos pra trás dos ombros.
Neymar:  Penso que as chances são bem altas. 
Juliana:  Também penso. Só... tempo, tudo bem? - ele assentiu. Parecia mais feliz, era assim que eu queria terminar nossa noite, com esperança. Bem, talvez com algo mais. Mordi os lábios e me virei pra ele com olhos desejosos. Sem hesitar nem um segundo, ele se inclinou e me beijou. Foi um gostoso, doce devido a maciez de sua boca. Ele encerrou me selando e eu parecia flutuar. 
Neymar:  Vamos  -  disse em tom de brincadeira, enquanto me puxava pra dentro da mansão. Assim que Neymar me deixou nas escadas, o cansaço tomou conta de mim. Eu praticamente me arrastava até o segundo andar e quando cheguei no meu quarto, ó fiz trocar de roupa e capotar. 

 - 

 Nadine: Não, não - riu. Tive apenas uma madrinha, apesar de a mãe do Neymar ter sugerido que eu tivesse mais. Só queria minha melhor amiga. Estiquei o pescoço pra olhar pra Marlee e fiquei feliz de ver que ela também me olhava. Antes de chegar na mansão, eu tinha pra mim que em uma competição com um prêmio tão grande não haveria como alguma das meninas ser simpática. Marlee me acolheu logo que nos conhecemos, desde então, sempre estamos juntas. Nunca brigamos, a não ser aquelas nossas pequenas discussões. Semanas atrás, quando ela comentou que talvez não quisesse ficar com o Neymar, e eu a pressionei pra explicar melhor aquilo, ela se fechou totalmente. Não estava brava comigo,  isso eu sabia,  mas aqueles dias de silêncio me deixaram bem solitária.
Kriss:  Quero quatro madrinhas.  Quer dizer, se Neymar me escolher e tiver um super casamento.
Celeste: Bom, eu não quero madrinhas. Elas só servem pra desviar a atenção dos outros. E como tudo vai ser televisionado, quero todos os olhares voltados pra mim. - Aquilo me subiu o sangue. Eram raras as vezes que conseguíamos conversar direito com a Nadine e lá estava Celeste: a praga que arruinava o momento.
Elisa: Eu gostaria de incorporar algumas tradições da minha família ao casamento. As garotas  usam vermelho na cerimônia, e o noivo precisa levar presentes pros amigos da noiva como agradecimento por deixarem ela se casar com ele. 
Kriss: Me lembre de ir no seu casamento. Adoro presentes! - riu 
Marlee: Eu também!  
Nadine: Juliana? Você está tão calada...  O que quer pra seu casamento? - Eu tava completamente despreparada pra responder, minhas bochechas coraram. Nunca tinha pensando muito em nenhum tipo de casamento na vida, a não ser na felicidade de um como o dos meus pais. 
Juliana:  Bem, só pensei no momento em que meu pai me entrega ao noivo. Sabe, quando ele toma sua mão e põe na mão do seu futuro marido? É a única parte na qual eu sempre quis passar de verdade. - Por mais embaraçoso que aquilo pudesse parecer, era a verdade. 
Celeste:  Mas todo mundo faz isso,  não é nem original. - reclamou. Deveria ter ficado com raiva depois dessa provocação, mas dei de ombros. 
Juliana:  Quero ter certeza de que meu pai aprova totalmente a minha escolha no único momento realmente importante da minha vida. 
Natalie:  Que bonito! - Comentou tomando seu chá e olhando distraída pela janela. Dona Nadine soltou uma leve risada. 
Nadine: Tenho certeza de que aprovará. Não importa quem seja. - Essa última frase foi dita repentinamente, como se ela tivesse percebido no meio da fala a sua sugestão de que Neymar seria o escolhido. Fiquei pensando se ela achava isso, se ele contava  a ela sobre nós. Logo depois, o assunto do casamento morreu, e ela nos deixou pra fazer uns trabalhos. Celeste estacionou em frente àquele televisor enorme e as outras garotas começaram a jogar cartas.
Marlee:  Foi divertido, acho que nunca tinha visto ela falar tanto, pelo menos comigo. 
Juliana: Acho que ela está começando a se empolgar. - Eu não tinha comentado com ninguém o que a amiga da Nadine aquele dia, ela tinha previsto que a mesma seria mais carinhosa conosco assim que o grupo diminuísse, e acertou.
Marlee: Agora, você tem que me contar: você não tem mesmo nenhum outro plano para o seu casamento ou apenas não queria revelar? 
Juliana: Não tenho mesmo.  É difícil pra mim planejar um casamento tão grande, sabe? - Marlee balançou a cabeça.
Marlee:  Chega de estresse, você não precisa se preocupar com isso ainda. - fomos interrompidas pelo berro da escandalosa. 
Celeste:  Vai! - gritou, batendo o controle remoto no sofá antes de apontá-lo pra a TV de novo.  Argh!
Juliana:  É impressão minha ou ela está piorando? - cochichei com Marlee. Observamos Celeste bater no controle remoto diversas vezes até desistir e mudar de canal manualmente. Comecei a achar que, se eu tivesse nascido no mundo dela, aí sim teria com que me preocupar.
Marlee: Acho que é estresse. Você notou como Natalie tem estado, sei lá... mais distante? - Fiz que sim com a cabeça, e olhamos para as três meninas jogando cartas. Kriss sorria ao embaralhar as cartas, enquanto Natalie examinava as pontas de seu cabelo e de vez em quando arrancava um fio. Ela tinha um ar distraído.
Juliana: Acho que todas nós estamos sentindo isso.  Ficou mais difícil relaxar e curtir a mansão agora que o grupo é tão pequeno. - Celeste resmungou algo e nos viramos para olhá-la, mas logo voltamos à posição inicial quando ela nos pegou espiando.
Marlee: Licença, Ju. Vou no banheiro.
Juliana: Pensei na mesma coisa, tava segurando a um tempinho. Vamos? - Com um sorriso, ela balançou a cabeça pra negar.
Marlee: Vai na frente, vou terminar o chá primeiro. 
Juliana: Tudo bem. Já volto. - Saí do salão das garotas, caminhando devagar por aquele corredor enorme. Eu duvidava que algum dia chegaria a me acostumar com o espetáculo que era aquela mansão. Estava tão distraída que trombei com alguém, era o Gil. 
Juliana: Ops!  
Gil:  Desculpa, Juliana, tava distraído - riu 
Juliana: Não - ri. Tá tudo bem. Eu devia olhar melhor por onde ando. - Me desculpei e segui pro banheiro. Voltei, contei a Marlee sobre a minha trombada vergonhosa com o Gil  e ela soltou uma gargalhada. Passamos o resto da tarde sentadas perto das janelas, conversando sobre as nossas casas e as outras garotas. Era triste pensar no futuro. Cedo ou tarde, a Seleção chegaria ao fim, e embora eu soubesse que Marlee e eu continuaríamos próximas, sentiria falta de conversar com ela todos os dias. Ela foi a primeira amiga de verdade que fiz na vida e gostaria de tê-la sempre ao meu lado. Enquanto eu tentava curtir aquele momento, Marlee olhava pela janela com um ar sonhador. Tentei imaginar no que ela estaria pensando, mas estava tudo tão sereno que não quis perguntar.
As portas da minha sacada estavam abertas, assim como a que dava pro corredor, de modo que meu quarto se enchia da brisa que vinha dos jardins. Eu queria que aquele vento suave fosse um consolo pro enorme trabalho que eu tinha a fazer, mas, em vez disso, ele foi uma distração, porque me deixou com vontade de estar em qualquer outro lugar que não na frente da escrivaninha. Suspirei e me larguei na cadeira, jogando a cabeça para trás. 
Juliana: Lucy? 
Lucy: Oi, Ju. - Peço que descubra o significado deste relatório - estendi preguiçosamente o braço na direção daquelas estatísticas sobre a mesa. Era um teste pra todas as meninas da Elite, mas eu não conseguia me concentrar. Lucy riu,  provavelmente tanto por causa do meu pedido ridículo quanto pelo fato de eu ter finalmente pedido algo. Sinto muito, Ju, mas isso ultrapassa meus limites - respondeu rindo. Apesar do meu pedido ter sido de brincadeira, assim como a resposta dela, notei um verdadeiro tom de desculpas em sua voz.
Juliana: Tudo bem, vou ter mesmo que fazer isso sozinha. Você é uma inutilzinha, amanhã vou pedir uma ajudante nova, desta vez é sério! - Ela caiu na gargalhada mais uma vez, e eu voltei a focar nos números. Comecei a desconfiar de que aquele relatório era falso, mas não tinha certeza. Reli os parágrafos e tabelas franzindo a testa e mordendo a tampa da caneta enquanto tentava me concentrar. Ouvi Lucy rir baixo e levantei os olhos pra ver o que a divertia. Segui seu olhar até a porta: lá estava Neymar , encostado no batente. 
Neymar: Você me entregou! - ele reclamou com Lucy, que ainda ria. Afastei a cadeira com pressa e corri pros braços dele.
Juliana: Você leu meus pensamentos! 
Neymar: Li? 
Juliana: Por favor, diz que a gente vai sair... Só um pouquinho? - ele sorriu.
Neymar:  Tenho vinte minutos e depois tenho que voltar. - O arrastei pelo corredor. Não tinha como negar que os jardins tinham se tornado o nosso cantinho. Íamos para lá quase sempre que podíamos estar a sós. O que é isso? - perguntou acariciando as pontas dos meus dedos enquanto a gente caminhava.
Juliana: Calos. São de apertar as cordas do violão e das faxinas também.
Neymar: Nunca tinha reparado nisso. 
Juliana: Eles são um problema pra você? - Dentre as seis garotas restantes, eu era a de condição mais baixa pelas entrevistas  e duvidava que qualquer uma das outras tivesse mãos como as minhas. Ele levou minha mão até sua boca pra beijar as pontas pequenas e ásperas dos meus dedos.
Neymar: Pelo contrário, acho bonito. - Senti minhas bochechas corarem.  Eu vi muito pelo mundo. Admito que agora melhor que antes, mas vi. E tenho à disposição a resposta pra milhares de perguntas. Mas esta mãozinha aqui? - olhou nos meus olhos. Esta mão produz sons que não se comparam a nada que eu já tenha ouvido. Às vezes, penso que a visão de você tocando violão foi apenas um sonho. Aquilo foi tão lindo. E os calos são a prova de que foi real. - Havia momentos em que ele falava comigo de uma maneira impressionante, romântica demais pra acreditar. E apesar de eu guardar aquelas palavras pra mim, nunca tinha certeza se podia confiar plenamente nelas. Como saber se ele não dizia o mesmo para as outras? Era hora de mudar de assunto. 
Juliana: Você tem respostas pra milhares de perguntas, mesmo? 
Neymar: Com certeza, pode perguntar. - riu 
Juliana: Qualquer coisa?
Neymar: Qualquer coisa? -  Pensei por uns instantes nas coisas que me deixavam mais curiosa na infância: por que os aviões voavam, como eram os Estados Unidos, como funcionavam os aparelhos de som que as pessoas criavam. 
Juliana: O que é “Halloween”?
Neymar: Halloween? - ele começou a rir e eu fui juntinho.  A verdade é que todos sabíamos das festas e do dia, mas o significado nunca teve importância pra mim, até agora. 
Juliana: A estrelinha não parece tão seguro de si agora... - provoquei. - Ele me olhou com uma cara feia, mas estava claro que apenas fingia.
Neymar: Vem, a gente tem que andar logo - agarrou meu braço e começar a correr. Tropecei um pouco, mas não fiz feio e mantive o passo enquanto ele me levava de volta a mansão com um sorriso de orelha a orelha. Eu adorava quando ele liberava seu lado mais descontraído; muitas vezes, ele parecia sério demais. Consegui chegar até a metade da sala, e então meus pés me venceram. 
Juliana: Neymar, para, para! - arfei. Eu não aguento mais! 
Neymar: anda lesminha, você vai gostar! - Ele acabou desacelerando um pouco pra me acompanhar, mas era claro que estava louco para ir mais rápido. Seguimos em direção ao corredor, próximo da área onde filmavam uns vídeos pro programa, mas nos embrenhamos por uma escadaria antes de chegarmos até lá. Subimos e subimos, e eu já não conseguia conter minha curiosidade.
Juliana: Aonde vamos exatamente? - ele não me respondeu e logo chegamos, ele abriu a porta pra mim, e me conduziu pelo corredor até pararmos em frente a uma parede quase totalmente coberta com pinturas. Em seguida, passou a mão pela moldura do último quadro. Ouvi um clique e o quadro se abriu, meu queixo caiu. o Neymar só sorria. Por trás da pintura havia uma porta um pouco acima do nível do chão que possuía um pequeno teclado numérico, como de um telefone. Ele digitou uns números e ouvimos um leve bip, girou a maçaneta e olhou pra mim. Entrei primeiro e fiquei chocada. Aquele lugar era tipo uma espécie de refúgio, um cantinho dele. Meu coração se encheu de ternura ao saber que ele confiava em mim pra me levar ali. Tudo tinha seu jeito na decoração, mas por incrível que pareça, ali também tinha livros. A estrelinha do futebol gostava de ler hahaha. Olhei alguns livros, folheei as páginas. Dei meia-volta e ele tava digitando alguma coisa no computador.
Juliana: Tá fazendo o que?
Neymar: Pesquisando sobre o Halloween, você me provocou gatinha. - ri . O primeiro site definia o Halloween como uma festa celta para marcar o fim do verão. Pra não nos atrasar, nem me preocupei em mencionar que não fazia ideia do que era um celta. O site dizia que eles acreditavam que os espíritos entravam e saíam do mundo no Halloween, e as pessoas usavam máscaras pra afastar os espíritos maus. Mais tarde, ele teria se transformado num feriado laico, mais voltado pras crianças. Elas vestiam fantasias e circulavam pela cidade cantando a fim de ganhar doces. Daí surgiu a frase “gostosuras ou travessuras”, já que se não ganhassem gostosuras pregariam uma peça no dono da casa. A definição do segundo site era similar, só que mencionava abóboras e cristianismo. Fiquei feliz de ao menos saber essa coisa boba, mas fiquei mais feliz ainda por ele se importar com isso. Ele agora compartilhava comigo um espaço que era seu, não estava invadindo, não estava pedindo, eu era convidada ali. Ficamos conversando mais alguns minutos e ele teve que ir cuidar de seus compromissos. Passei o resto do dia na missão de ensinar Marlee a tocar violão, mas admito que o negócio não tava muito fácil.
 Marlee:  AAA! Sou um caso perdido!
 Juliana: Não, não é. Você está indo bem - menti. Fazia mais de uma semana que eu tava tentando e realmente parecia que ela só piorava. A gente ainda não tinha passado da introdução! E quando ela tocou outra nota errada, não pude disfarçar minha careta.
Marlee: Ah, olha a sua cara! Sou péssima. Não faria diferença se eu tocasse com os cotovelos.
Juliana: Talvez devêssemos tentar. Quem sabe seus cotovelos não são mais precisos? - segurei a risada e ela suspirou. 
Marlee: Desisto! Desculpa, Juliana, você tem sido tão paciente, mas eu não suporto me ouvir tocando. Soa como se o violão estivesse doente. 
Juliana: Morrendo, eu diria. - Marlee caiu na gargalhada e eu fui no embalo. Quando aceitei o pedido dela, nem desconfiei que submeteria meus ouvidos a uma tortura tão dolorosa e hilária. Talvez você se saia melhor com outros instrumentos que tem por aqui - sugeri.
Marlee:  Acho que não. Do jeito que sou azarada, acabaria destruindo eles. - ela levantou e caminhou em direção à mesinha onde os papéis que eu deveria ler estavam jogados de canto, ao lado de uma bandeja com biscoitos e suco que Lucy deixou para nós. 
Juliana: Ah, tudo bem. São daqui da mansão mesmo. Você pode jogar na cabeça de Celeste se quiser.
Marlee: Não me tente - colocou suco pra gente. Vou sentir sua falta, Juliana. Não sei o que vou fazer quando não nos virmos mais todos os dias. 
Juliana: Bem, Neymar é muito indeciso, então acho que você não precisa ficar preocupada com isso agora. 
Marlee: Não sei. Ele ainda não me falou com todas as letras, mas sei que só estou aqui porque o público gosta de mim. Com a maioria das garotas fora, não vai demorar para as pessoas mudarem de opinião. E então ele vai me dispensar. - Escolhi com cuidado as palavras, porque queria que Marlee me explicasse por que via uma distância tão grande entre eles sem que ela se comparasse a mim. 
Juliana: E pra você tudo bem? Quer dizer, ficar sem ele? - Ela deu de ombros. 
Marlee: Ele não é a pessoa certa. Não me importo de sair da competição, mas também não quero partir. Além disso, não gostaria de acabar com um homem que é apaixonado por outra. - Quase caí dura. 
Juliana: Mas quem ele... - Os olhos de Marlee brilhavam triunfantes. Seu sorriso por trás do copo dizia “peguei você”. E ela tinha me pegado mesmo. Por uma fração de segundo, me dei conta de que a ideia do Neymar se apaixonar por outra me deixava com um ciúme insuportável. E o instante seguinte, quando compreendi o que Marlee queria dizer, foi reconfortante. Eu tinha construído vários obstáculos entre mim e ele: caçoava dele e elogiava as outras garotas. Mas com uma única frase, Marlee passou por cima de tudo isso.
Marlee: Por que você ainda não acabou com isso, Juliana? Você sabe que ele te ama. 
Juliana: Ele nunca disse isso. 
Marlee: Claro que não - afirmou como se fosse óbvio. Ele faz tanto esforço pra te conquistar, mas sempre que chega perto, você o afasta. Por quê? 
Juliana:  É que... não tenho certeza, acho... - Marlee fez um sinal de positivo com a cabeça. Ela parecia saber que havia mais coisas por trás de minha resposta, mas mesmo assim não me pressionou, isso me reconfortou. Não queria começar a falar de todas as minhas inseguranças e indecisões quanto à isso.
Marlee: Dê um jeito de ter certeza. Rápido! Não é porque Neymar não me atrai que ele não seja um bom rapaz. E eu odiaria vê-la perdendo-o por medo. - Mais uma vez ela estava certa. Eu tinha medo. Medo de que os sentimentos do Neymar não fossem tão autênticos como pareciam; medo das implicações de ser mulher de alguém tão reconhecido, medo de perder a mim mesma. Outra coisa,  toda aquela conversa sobre casamento ontem me fez pensar em algo. 
Juliana: Sim? 
Marlee: Você gostaria de, tipo, ser minha madrinha? Se eu casar algum dia...
Juliana: Ah, Marlee, claro que sim! E você seria a minha? 
Marlee:  Claro! Não perderia seu casamento por nada no mundo - o tom de sua voz sugeria que meu casamento seria o evento do século.
Juliana: Me prometa que você estará lá mesmo se eu casar com um mendigo em um beco qualquer.
Marlee:  Prometo, mesmo se isso acontecer. - abracei Marlee e isso com certeza selou nosso compromisso uma com a outra. 
À noite, fiquei esperando que pudesse passar algum tempo com o Neymar, Marlee me fez questionar várias das minhas ações, ideias e sentimentos. Depois do jantar, quando levantei pra  sair da sala, olhei pra ele e cutuquei minha orelha. Ele fez uma cara de frustração e moveu os lábios, dizendo a palavra “trabalho”. De brincadeira, lancei um olhar de raiva e assenti com a a cabeça antes de voltar pro meu quarto. Talvez tenha sido melhor assim. Eu precisava mesmo pensar em algumas coisas sobre ele. Foi o que fiz, deitei e de uma coisa eu sabia, precisava me decidir. Mas como decidir entre duas boas opções? Voltar pro meu aconchego sem o risco de sofrer ou me arriscar e entrar de cabeça nessa nova experiência?  Como decidir se qualquer escolha deixaria parte de mim destruída? Me consolei com o pensamento de que ainda tinha tempo. Eu ainda tinha tempo.
 





Oi queridinhas! Gente, a história pode parecer louca, os assuntos podem parecer aleatórios, mas não desistam de mim, prometo que vocês vão gostar do decorrer da fic! Obrigada por cada comentário, leio e considero tudo. Beijinhos e até ♥

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Capítulo 10: "Não tenho certeza do que somos, mas sem dúvida somos mais que amigos."

 "Não era mais um acaso, não era qualquer pessoa, era ele"



Juliana: Mas eu tô dizendo Neymar, não foi acidente! - Nós estávamos no jardim, matando o tempo até o programa começar. Esperei o dia inteiro pra encontrar um momento em que pudesse conversar com ele. 
Neymar: Ela pareceu triste e pediu tantas desculpas. Como pode não ter sido acidente? - Bufei de irritação.
Juliana:  Eu tô dizendo! Vejo Celeste todos os dias, e aquele foi seu jeito discreto de arruinar os quinze minutos de fama de Kriss. Ela é super competitiva. 
Neymar: Bem, se a intenção dela era tirar minha atenção de Kriss, falhou. Passei quase uma hora com a garota, bem agradável, por sinal. - Eu não queria saber disso. Tinha certeza de que existia uma ligação tênue entre nós, e não queria falar de nada que pudesse mudá-la. Não até que eu entendesse meus sentimentos.
Juliana: E quanto a Anna?  
Neymar: Quem? 
Juliana: A Anna. Ela bateu em Celeste e você a enxotou, lembra? Sei que Anna foi provocada.
Neymar:  Você ouviu Celeste falar alguma coisa?
Juliana: Bem... não. Mas eu conhecia Anna e conheço Celeste. Anna não é o tipo de pessoa que parte direto para a violência. Celeste deve ter dito uma puta maldade pra ela reagir daquele jeito. 
Neymar: Jú, eu sei  que você passa mais tempo com as meninas do que eu, mas você realmente as conhece? Sei que gosta de ficar escondida no quarto ou na biblioteca. Me arrisco a dizer que tem mais intimidade com as empregadas do que com qualquer uma das Selecionadas. - Ele provavelmente tinha razão, mas eu que não ia recuar.
Juliana: Isso não é justo! Eu estava certa quanto a Marlee, não estava? Ela não é uma garota legal? - Ele fez uma careta. 
Neymar: É, ela é legal... eu acho. 
Juliana: Então por que não acredita em mim quando digo que Celeste agiu de propósito?
Neymar: Juliana, não é que eu ache que você tá mentindo. Tenho certeza de que acha que foi de propósito, mas Celeste pediu desculpas. E ela sempre é boa comigo!
Juliana: Ah aposto que é - resmunguei mesmo.
Neymar: Ai, Chega. Não quero falar das outras agora.
Juliana: Cara, ela tentou tomar meu vestido. 
Neymar: Eu já disse que não quero falar dela - seu tom era bravo. Isso era o máximo que eu ia conseguir. Bufei e dei um tapa na minha própria perna, estava tão frustrada que queria gritar. Se vai agir assim, vou procurar alguém que realmente queira a minha companhia - falou e já saiu andando. 
Juliana: Ei!
Neymar:  Não! - se voltou pra mim com a voz tão forte que eu nunca pensei que a mesma pudesse sair dele. Você se esquece de sua situação, Juliana. Gostaria de te lembrar quem eu sou,  pra todos os efeitos você está na minha casa como uma das muitas protagonistas do meu programa e seria um coitado se deixasse você me tratar assim na minha própria casa. Não precisa concordar com minhas decisões, mas não deve deixar de acatar elas. - Despejou tudo isso na minha cara e saiu. Não viu – ou não quis ver – as lágrimas que já enchiam meus olhos.
Não olhei pro Neymar no jantar, mas era difícil ignorá-lo durante programa. Peguei ele olhando pra mim duas vezes, e em ambas ele mexeu na orelha. Não correspondi, não queria falar com ele. Minha única expectativa pra conversa era mais uma bronca, e eu não precisava daquilo. Fui pro meu quarto assim que o programa terminou, tão irritada com ele que mal conseguia pensar. Por que não me escutava? Será que me considerava uma mentirosa? Pior: será que pensava que Celeste jamais mentiria? Talvez Neymar fosse apenas um cara normal, e Celeste apenas uma garota bonita. No fim das contas, a beleza dela prevalecia. Depois de toda aquela história de querer uma alma gêmea, quem sabe ele não queria mesmo era um corpo sem alma? E se ele era esse tipo de pessoa, por que me incomodar? Burra, burra, burra! E eu ainda beijei ele! E tinha prometido a ele que teria paciência! E para quê? Eu só... Ah sei la! 
Era inútil querer dormir. Me contorci durante horas enquanto a estupidez do Neymar e a saudade de casa lutavam em minha cabeça. Não sabia o que fazer em nenhum dos casos, meus pensamentos prenderam tanto a minha atenção que nem percebi que os fiquei ruminando até bem depois das duas da manhã, só dormi mesmo pelo cansaço instantâneo. 
Na manhã seguinte, era sábado, e teoricamente eu deveria ir para o Salão das garotas, mas não ia aguentar. Precisava pensar, e sabia que não conseguiria se estivesse rodeada por um falatório interminável. Quando Lucy chegou, disse a ela que tava com enxaqueca e que ia ficar na cama. Ela foi muito prestativa, levou meu almoço e limpou o quarto sem fazer barulho. Quase me senti mal por ter mentido, mas eu precisava. Não queria encarar ninguém depois de ontem. Fechei os olhos, mas não dormi, tentei clarear meus sentimentos. Não consegui fazer grandes progressos.
Acordei com Lucy me sacudindo violentamente no meio da noite.
Juliana: O quê?!
Lucy: Anda, você precisa levantar!
Juliana: Meu Deus, o que foi? Você tá machucada?
Lucy: Não, não. A gente tem que sair daqui agora, tem gente invadindo a mansão. - Eu tava tão confusa, que não tinha certeza de ter entendido Lucy direito, mas notei que ela já estava prestes a chorar.
Juliana: Eles entraram? O que a gente faz? - Um pico súbito de adrenalina me despertou e eu pulei da cama. Meus pés mal tocaram o chão e Lucy já me calçava os sapatos enquanto eu ia me cobrindo com um roupão. 
Lucy: Tem uma passagem no final do corredor, que leva diretamente pra um porão lá embaixo. Provavelmente todo mundo foi pra lá. Mas você precisa sair daqui! Pra esses bandidos conseguirem burlar a segurança, com certeza eles não temeriam poupar a vida de ninguém. - Ela me empurrou para fora, certamente tinha uma escadaria me esperando depois da passagem. Enquanto eu tava ali, Tina passou como um relâmpago vinda de seu quarto e disparou pelos degraus.
Juliana: Muito bem, vamos. - Lucy arregalou os olhos para mim. Anda, vamos!
Lucy: Não, Juliana. Eu  não posso, vou pra outro lugar, mas você precisa se apressar antes que eles cheguem aqui. Por favor! - Com certeza sabia que na melhor das hipóteses ela seria ferida se eles a encontrassem; na pior, seria até morta. Não suportaria saber que alguém a machucaria. Talvez eu estivesse sendo um pouco convencida, mas se o Neymar já tinha chegado ao ponto de fazer tanta coisa por minha causa, quem sabe ela não era importante pra ele por também ser pra mim? Mesmo que tivéssemos brigado... Talvez fosse abusar de sua generosidade, mas eu não podia deixar ela lá.  O medo fez com que eu agisse rápido. Agarrei Lucy pelo braço e a empurrei corredor a fora. Ela perdeu o equilíbrio, mas por sorte não caiu. Não me importei com as palavras de Lucy falando que não deveria ir pra lá, não importava qual fosse o esconderijo dela, não seria mais seguro do que o da família Santos. Minha mente estava cega de tanta preocupação. Não saberia dizer quanto tempo levamos para chegar ao fim das escadas, mas logo pude ver outras  meninas; todas elas corriam para trás de uma porta de mais de meio metro de espessura. Nós duas corremos pro esconderijo.
Silvia: Obrigada por acompanhar a Juliana, pode ir agora - falou olhando pra Lucy que já queria soltar do meu braço, mas aí que eu prendi com mais força mesmo!
Juliana: Não! Ela tá comigo, vai ficar! 
Silvia: Juliana, ela tem seu próprio lugar pra se esconder.  
Juliana: Ótimo. Se ela não entrar, eu não entro. Tenho certeza de que o Neymar vai adorar saber que minha ausência é culpa sua. Vamos Lucy!  - puxei ela pela mão e já ia saindo.
Silvia: Espera, espera! Vai entrem logo, mas se houver qualquer reclamação, a responsabilidade é sua.
Juliana: Sem problemas. - dei meia volta e entramos. Algumas garotas se abraçavam aos prantos, enquanto outras rezavam. Vi o seu Neymar e dona Nadine sentados sozinhos, cercados pela Rafaela e pelo Jota. Do lado deles, o Neymar segurava a mão de Elisa. Ela parecia um pouco abalada, mas o toque dele claramente a acalmava. O grupinho "real"  viu minha entrada e notou que eu tinha companhia. Não desviei o olhar de suas expressões confusas, fiz um breve aceno com a cabeça e continuei andando. Imaginava que, enquanto parecesse estar certa dos meus atos, ninguém me questionaria. Estava errada. Dei mais três passos até Silvia aparecer de novo.
Silvia: Bom, já que temos gente para ajudar, quero que você vá imediatamente buscar água na bancada dos fundos e comece a servir os patrões e as Selecionadas. - falou diretamente pra Lucy. Virei pra mesma e dei meu veredito de verdade.
Juliana: Lucy, por favor, sirva o Seu Neymar, dona Nadine, Rafaela e os meninos. Depois vem ficar do meu lado. - continuei, encarando Silvia. O resto pode se virar. Elas escolheram abandonar suas ajudantes, podem pegar sua maldita água sozinhas. A minha vai ficar sentada ao meu lado. - Eu sabia que estávamos bem perto da família Santos e que eles podiam me ouvir. Mas não me importava se eles me achassem grossa. Lucy estava mais assustada que a maior parte das pessoas naquele lugar, tremia dos pés à cabeça, e não havia a menor chance de eu deixá-la servir gente como Celeste. Talvez por causa de todos os meus anos como irmã, eu queria apenas proteger ela, assim como o Lucas fazia comigo. Encontrei um espacinho no fundo e esperei Lucy ali. Quem quer que tenha planejado esse lugar, o fez muito bem. O lugar era seguro e aconchegante, ficaria ali por meses sem problemas, pelo menos até a comida acabar. Quase todas as garotas estavam de camisola,  nem todas puderam pegar um roupão na pressa de fugir, e mesmo assim eu ainda sentia um pouco de frio com o meu. Depois de Lucy servir quem deveria, a mantive sobre meu braço e a acariciava. Permanecemos um tempo em silêncio, até Marlee se aproximar.
Marlee: Você está bem? 
Juliana:  Sim, obrigada - Não dissemos nada por alguns instantes, observando as pessoas se instalarem no porão. 
Marlee:  Foi bondade sua trazer sua ajudante, nem todo mundo é gentil assim com as classes mais inferiores.   
Juliana: As classes nunca me importaram, aliás sou da mesma que Lucy - a lembrei que eu também era uma empregada doméstica.  Marlee abriu  o menor dos sorrisos e logo depois se afastou. Em questão de segundos tiros começaram a ecoar por cima de nossas cabeças e barulhos de vidros sendo estraçalhados. O som continuou por vários minutos, o único movimento no porão eram as rondas do Neymar, que cumpria seu dever de verificar se cada uma das meninas estava bem. Quando ele chegou no canto onde estávamos, Lucy e eu permanecíamos acordadas. Às vezes, trocávamos umas palavras rápidas aos sussurros, quase lendo os lábios uma da outra. Ele se aproximou e não notei nenhum vestígio de raiva por causa de nossa última discussão, embora eu ainda quisesse esclarecer aquilo. Em vez disso, vi um sorriso agradecido em seu rosto. Ele estava simplesmente feliz por eu estar bem. Uma onda de culpa percorreu meu corpo... No que eu havia me metido?
Neymar: Você está bem? - Fiz que sim com a cabeça. Ele se virou pra Lucy e se inclinou sobre mim para falar com ela. Senti o cheiro dele.  Era próprio, uma mistura de essências que seu corpo exalava.  E você? -  perguntou pra ela e a mesma também fez que sim com a cabeça. Assustada de estar aqui em baixo? - seu tom amigável certamente a confortou. 
Lucy:  Não.  Não com ela - se voltou pra mim.Ele me encarou, e seu rosto estava incrivelmente próximo do meu. Me senti desconfortável. Havia tanta gente deitada ao meu redor que eu não era capaz de me mover. E podíamos ser vistos por muitos, até por seus pais. Mas o momento passou rapidamente e ele voltou a olhar pra Lucy.
Neymar:  Sei o que você quer dizer. - abriu outro sorriso. Ele parecia prestes a dizer algo mais, mas mudou de ideia e se levantou. Agarrei seu braço com um só movimento e perguntei em voz baixa.
Juliana: Quem são eles?
Neymar:  Ainda não sabemos ao certo, mas planejaram tudo. Desde a segurança do condomínio, aos seguranças da casa. - ele respirou fundo. Lamento ter de fazer vocês passaram por isso, infelizmente essa possibilidade não está descartada pra quem vai se juntar à mim, que isso sirva pra refletimento de todas. - Nos deixou e passou pra Larissa, que soluçava encolhida. 
O tempo se arrastava. Não fazia ideia de que horas eram, mas as pessoas que tinham apagado começavam a acordar e aqueles que tinham se mantido ligados começavam a desfalecer. Os barulhos sobre nós não pararam de uma vez, mas diminuíram com o passar das horas. Por fim, tudo ficou em silêncio e assim permaneceu. A porta se abriu e os seguranças saíram pra investigar. Mais tempo se passou enquanto faziam uma varredura na mansão, aí ele eles voltaram. Um deles cochichou com o Gil e logo ele deu a notícia. 
Gil: Acabou, vencemos essa porra! - suspiros foram ouvidos por toda a sala e até umas comemorações mais extravagantes por parte dos meninos.  Depois disso, as pessoas começaram a se levantar. Meu quarto havia sido revirado, colchão fora da cama, vestidos jogados no chão, fotos da minha família rasgadas.  Tentei não chorar, mas meus olhos continuavam a marejar. Não era medo, embora eu tivesse medo, só não queria que um perigoso tocasse nas minhas coisas, não queria que as destruísse. Levamos um tempo até ajeitar tudo, por conta do cansaço extremo, mas conseguimos. Lucy conseguiu até encontrar fita adesiva pra eu colar minhas fotos. Mandei Lucy pra cama assim que pus as mãos na fita, pois é, mandei, caso contrário, ela nunca sairia dali, por querer me ajudar. Assim que fiquei sozinha, deixei o choro correr. O medo, embora quase extinto, ainda dominava parte de mim. Peguei o short que o Neymar me deu, uma camiseta trazida de casa e vesti. Me senti um pouco mais normal assim. Meu cabelo estava uma bagunça por causa de tudo o que havia acontecido durante a noite e a maior parte da manhã. Dei um jeito nele com um coque simples, mas algumas mechas caíam sobre meu rosto. Coloquei os pedaços das fotos na cama, tentando descobrir a que fotos pertenciam cada um. Era como ter quatro quebra-cabeças diferentes na mesma caixa. Tinha conseguido montar uma das fotos quando alguém bateu à porta. “Neymar”, pensei. “Por favor, que seja o Neymar.” Abri a porta cheia de esperança.  
Silvia: Olá, queridinha. - entrou e só depois reparou nas minhas roupas. Não me diga que também quer ir embora?  De verdade, não foi nada -  Silvia parecia querer apagar todo aquele episódio com um gesto de suas mãos. Eu não chamaria aquilo de nada. Será que ela não notou que eu tinha chorado?
Juliana:  Não vou embora. Alguém pediu pra sair? - Ela deu um suspiro, decepcionada.
Silvia: Sim. Três até agora. E o Neymar, como um  ótimo rapaz, me disse pra liberar quem quisesse voltar para casa. Providências estão sendo tomadas neste exato momento. É tão engraçado, parece que ele sabia que algumas garotas iriam embora. Se estivesse no lugar delas, pensaria duas vezes antes de sair por causa de uma bobagem como essa. - Silvia começou a circular pelo quarto, observando a decoração. Bobagem? O que tinha de errado com essa mulher? Levaram alguma coisa? 
Juliana: Não. Fizeram a maior bagunça, mas não dei por falta de nada.
Silvia:  Muito bom. Os telefones estão destruídos, mas você precisa telefonar pra sua família e dizer que está bem. Use esse celular, só não demore muito. Ainda tenho outras garotas para ver. - Disquei os números, ansiosa. Depois de tudo o que tinha acontecido, aquela oportunidade me fez sorrir. Minha mãe atendeu depois de dois toques.

 Ligação ON:

Andressa: Alô?
Juliana: Mãe?
Andressa: Juliana! É você minha filha? Você tá bem? Estávamos morrendo de preocupação. Ligaram  pra avisar que não conseguiríamos entrar em contato com você por alguns dias, e eu soube que uns malditos conseguiram invadir aí. Ficamos com tanto medo! - ela começou a chorar e meu coração ficou apertadinho.
Juliana: Ôh mãe, não chora. Eu tô bem... - Olhei pra Silvia, ela parecia aborrecida.
Andressa: Um momento. - Houve alguma agitação na minha casa.
Lucas: Juliana? - sua voz estava pesada por causa das lágrimas. Ele devia ter passado um dia péssimo.
Juliana: Ah Lucas, eu tô com tanta saudade! Sinto tanto a sua falta - minhas lágrimas voltaram.
Lucas: Pensei que estivesse morta! Ju, eu te amo. Promete que vai ficar bem? 
Juliana:  Prometo! 
Lucas: Você vai voltar pra casa? Você pode? Não quero que fique aí. - ele estava praticamente implorando. 
Juliana: Voltar para casa? - Fui tomada pelas emoções. Sentia saudades da minha família, e já estava cansada de tudo aquilo. Estava cada vez mais confusa quanto a meus sentimentos pelo Neymar e não sabia como lidar com aquilo. O jeito mais fácil seria sair, mas não.
Juliana: Não, Lucas. Não posso ir para casa, tenho que ficar aqui.
Lucas: Queria tanto te dizer que a gente vai dar um jeito...  
Juliana: Não fica assim, não tem problema, eu aguento.. 
Lucas: Você está apaixonada por ele? - fui pega de surpresa, era meu irmão preocupado e cuidadoso de sempre, é ele estava bem.
Juliana:  Humm, não sei, mas... 
Lucas: Ai meu Deus, você tá gostando dele! - Ouvi meu pai gritar “O quê?” ao fundo, enquanto minha mãe repetia “Sim, sim, sim!”
Juliana: Lucas, eu não disse que... 
Lucas: Eu sabia que tinha mais alguma coisa te prendendo aí! - ele ria sem parar. E, assim, seu medo de me perder desapareceu.
Juliana: Eu preciso desligar. As outras garotas vão usar o telefone. Mas eu só queria que você soubesse que estou bem. Ligo logo, prometo. 
Lucas: Está bem, Eu te amo! Se cuida.  
Juliana: Eu também te amo. Tchau.

Ligação OFF

 Silvia foi ligeira, tomou o telefone da minha mão em segundos e caminhou para a porta.
Silvia: Boa menina - falou e desapareceu pelo corredor.  Eu com certeza não me sentia bem. Mas sabia que logo que ajeitasse as coisas com o Neymar me sentiria.
 Renata, Larissa e Gabriela foram embora dali a horas. Eu não sabia dizer se por causa da eficiência de Silvia ou do estado de nervos das garotas. De repente éramos dezenove, e tudo pareceu progredir muito rapidamente. Ainda assim, eu jamais poderia ter previsto a velocidade com que as coisas iam se mover dali para a frente. Na segunda-feira depois da invasão, retomamos nossa rotina. O café da manhã estava delicioso como sempre e fiquei imaginando se chegaria o dia em que deixaria de gostar daquelas refeições espetaculares. 
Juliana: Kriss, isso não é divino? - Eu estava comendo uma salada de frutas espetacular que a Marcela preparou. Kriss estava de boca cheia, mas concordou com a cabeça. Sentia um clima de irmandade naquele dia. Depois de termos sobrevivido ilesas a tudo aquilo, parecia que os pequenos laços que nos uniam se tornaram indestrutíveis. Ao lado de Kriss estava Emily, que me passou o mel. Perto de nós, Tina me perguntava admirada, onde eu tinha conseguido meu pingente de passarinho. O clima lembrava os jantares da minha família de uns anos atrás, antes dos meus outros tios se tornarem babacas e sumirem pelo mundo. Me dei conta de que eu manteria contato com essas meninas ao longo dos anos. Ia querer saber se todas tinham se casado e mandaria cartões de Natal.  Relembraríamos tudo por que passamos e riríamos daquilo como se tivesse sido uma aventura, não uma competição. Por mais incrível que pudesse parecer, a única pessoa com aparência perturbada na sala de jantar era o Neymar, ele nem tinha tocado na comida. Em vez disso, corria os olhos pelas fileiras de garotas com a expressão de quem estava concentrado. De tempos em tempos, parava para pensar e parecia discutir consigo mesmo sobre alguma coisa, depois continuava. Quando chegou a vez de me olhar, ele me flagrou olhando pra ele e abriu um sorriso fraco. Tirando o breve diálogo da noite do ataque, não conversávamos desde nossa discussão, e algumas coisas ainda precisavam ser ditas. Eu é que tinha que tomar a iniciativa. Com uma expressão que revelava tratar-se de um pedido, e não de uma exigência, mexi na minha orelha. Seu rosto permaneceu distante, mas ele também mexeu na dele. Respirei aliviada! Ele levantou e o barulho da cadeira foi suficiente pra atrair a atenção de todas. Ao ver todos aqueles rostos voltados em sua direção, Neymar pareceu querer sentar novamente, sem que ninguém percebesse. Sabendo que isso seria impossível, ele começou a falar. 
Neymar: Garotas,  receio que após o ataque de ontem eu tenha sido obrigado a repensar profundamente o funcionamento da Seleção. Como sabem, três garotas pediram pra sair ontem, e eu cedi. Não quero ninguém aqui contra sua vontade. Além disso, não me sinto confortável mantendo na mansão, correndo certos riscos,  pessoas com quem estou certo de que não terei futuro. 
Tina: Ele não vai... - murmurou. 
Juliana: Sim, ele vai. 
Neymar: Embora me doa tomar essa atitude, conversei com minha família e amigos, e decidi proceder ao afunilamento da Seleção para a fase 2. Contudo, em vez de dez, decidi dispensar todas vocês, com exceção de seis.
Kriss: Seis?
Tina: Isso não é justo - resmungou, já prestes a chorar. Corri os olhos pela sala de jantar conforme o burburinho de reclamações crescia e diminuía. Celeste juntou coragem, como se fosse lutar por uma vaga. Bárbara fechou os olhos e cruzou os dedos, talvez na expectativa de que aquela pose lhe ganhasse alguma simpatia. Marlee, que tinha admitido não querer nada com ele, parecia muito tensa. Por que ela queria tanto ficar? 
Neymar: Não quero estender o assunto além do necessário. Então, as seguintes garotas permanecerão aqui: Marlee, Kriss... - Marlee suspirou aliviada e levou a mão ao peito. Kriss ensaiou uma dança feliz e contente na cadeira, olhando para as meninas ao redor esperando que estivéssemos felizes também. E eu estava até me dar conta de que duas das seis vagas já tinham sido preenchidas. Com uma discórdia entre Neymar e eu, será que ele me mandaria para casa? Ao longo de todo esse tempo, eu tive nas mãos o poder de decidir sobre minha saída. Naquele instante, percebi o quanto era importante pra mim continuar. Natalie, Celeste... -  continuou falando e olhando pra cada uma delas. Eu me contorci ao escutar o nome de Celeste. Ele não podia deixar ela ali e me mandar embora. Eu mal acreditava que ele não ia dispensá-la, aliás. Mas seria esse um sinal de que eu ia embora? Brigamos exatamente por causa da presença dela. Elisa... - Toda a sala prendeu a respiração à espera do último nome. Me dei  conta de que Tina e eu estávamos de mãos dadas. E Juliana! - Ele olhou pra mim e senti cada músculo do meu corpo relaxar. Tina caiu em prantos na hora, e ela não estava sozinha: a lista do Neymar provocou muitos soluços. A todas as demais, meu sincero pedido de desculpas. Espero, que acreditem em mim quando digo que fiz isso pra seu bem. Não quero alimentar suas esperanças nem arriscar suas vidas à toa. Se alguma das que estiverem de saída quiser falar comigo, vou estar na biblioteca no final do corredor. Podem me encontrar lá assim que terminarem de comer. - ele se retirou o mais rapidamente possível, sem correr. Nem bem passou um segundo e Érica e Talita já estavam correndo atrás dele, sem dúvida em busca de uma explicação. Algumas garotas choravam, claramente tristes. E recaiu sobre as que ficavam a responsabilidade de confortá-las. A situação era de uma bizarrice insuportável. Tina acabou por soltar violentamente minhas mãos e correr para o quarto, eu esperava que ela não ficasse com raiva de mim. Todas deixaram a sala em poucos minutos, já sem fome. Eu mesma não demorei muito a sair; não era capaz de lidar com aquela torrente de emoções. 
O restante da manhã foi esquisito. Nunca na vida tive amigas de quem sentiria saudades. Todos os quartos ocupados no segundo andar estavam abertos, e as garotas corriam de um lado para o outro, trocando bilhetes e pegando endereços. À tarde, a mansão já era um lugar bem mais sério do que quando chegamos. Não restou ninguém na parte do corredor onde eu ficava. Não se ouvia mais o som das ajudantes passando de um lado pro outro nem o do abrir e fechar das portas. Me sentei na mesa pra ler um livro enquanto Lucy organizava algumas coisas. De repente, ouvi batidas na porta. Lucy correu pra atender; Quando Neymar entrou no quarto, pus-me de pé com um pulo.
Neymar: Lucy - acenou levemente pra mesma que retribuiu dando uma risadinha. Preciso falar com a Juliana, você nos dá um momento? - Mais risadinhas, e ela saiu.  As mãos dele estavam nos bolsos. Permanecemos em silêncio por uns instantes. 
Juliana: Pensei que você não me deixaria ficar  - admiti, por fim. 
Neymar: Por quê? 
Juliana: Porque brigamos. Porque nossa relação é esquisita. Porque... - E porque você está saindo com outras cinco garotas, pensei. Ele diminuiu a distância entre nós aos poucos, escolhendo as palavras conforme caminhava. Chegou até mim, pegou nas minhas mãos e explicou tudo.
Neymar: Primeiramente, deixa eu dizer que sinto muito. Eu não devia ter gritado com você - seu tom de voz era totalmente sincero. É que alguns dos comitês e meu pai já me pressionam, e quero ser capaz de tomar a decisão por mim mesmo. Foi muito frustrante deparar com outra situação em que minha opinião não é levada a sério. 
Juliana: Outra situação?  
Neymar: Bom, você viu minhas escolhas. Marlee é a favorita da galera, e não posso desprezar isso. Celeste é uma jovem talentosa, sua influência seria um bom alinhamento. Natalie e Kriss são moças charmosas, ambas muito agradáveis, e as preferidas de alguns membros da minha família. Elisa tem contatos que ajudariam no marketing da carreira. Fui massacrado por opiniões e encurralado por todos os lados nesta decisão. - Ele não explicou nada sobre mim, e eu quase não pedi que explicasse. Sabíamos que no meu caso a amizade vinha em primeiro lugar e que eu não tinha nenhuma serventia social . Mas precisava ouvir essas palavras pra decidir por mim mesma. Não podia olhá-lo nos olhos.
Juliana: E por que eu ainda estou aqui? - Minha voz saiu um pouco mais alta que um sussurro. Eu sabia que ia doer. No fundo, tinha certeza de que só estava ali por que Neymar era bom demais pra quebrar uma promessa.
Neymar: Juliana, pensei ter sido claro- disse calmamente. Ele respirou fundo para demonstrar sua paciência e levantou meu queixo com a mão. Quando finalmente o olhei nos olhos, ele confessou: Se o assunto fosse simples, já teria eliminado todas as outras. Sei o que sinto por você. Talvez seja impulsivo da minha parte ter tanta certeza, mas estou certo de que seria feliz com você. - Corei. Pude sentir as lágrimas brotarem, mas as contive. Seu rosto tinha uma expressão apaixonada que eu não queria perder. Tem momentos em que penso que rompemos todas as barreiras. E há outros em que penso que você só fica pela conveniência. Se tivesse certeza de que eu, e apenas eu, sou sua motivação... Eu estaria errado se dissesse que você ainda não tem certeza sobre mim? - Eu não queria magoá-lo, mas tinha que ser honesta.
Juliana: Não. 
Neymar: Então não posso arriscar muito na minha aposta. Você pode optar por sair, e deixarei se quiser. Enquanto isso, preciso escolher alguém.  Estou tentando tomar a melhor decisão dentro dos limites que me foram dados. Agora, por favor, não duvide por um segundo da sua importância para mim. Porque é imensa. - Não pude mais conter as lágrimas.
Juliana: Neymar... - solucei. Será que um dia você vai me perdoar... 
Neymar: Perdoar o quê? Nossa briguinha besta? Já é passado. Seus sentimentos demoram mais pra passar que os meus? Sem problema. Estou pronto para esperar - deu de ombros. Acho que não há nada que você possa fazer que eu não possa perdoar. Lembra da joelhada? - Não consegui segurar a risada. Ele também riu, mas uma vez só. Depois, ficou sério de repente.
Juliana: O que foi? - Ele balançou a cabeça.
Neymar: Eles foram tão rápidos! - A voz dele estava cheia de raiva por conta da invasão. Tenho ficado preocupado, Ju. Esse é o preço do sucesso, gente ruim, de mau coração. Penso que o prazer deles é destruírem alguém importante pra mim. - Ele me olhou nos olhos e prosseguiu. Sabe, você ainda pode escolher. Se tiver medo de ficar, pode dizer, ou se chegar à conclusão de que nunca vai gostar de mim, seria melhor me contar já. Vou deixar que siga seu caminho e seremos amigos. - Lancei meus braços ao seu redor e apoiei a cabeça em seu peito. Ele pareceu ao mesmo tempo confortado e surpreso com o gesto. E demorou apenas um segundo para me envolver nos braços.
Juliana: Não tenho certeza do que somos, mas sem dúvida somos mais que amigos. - Ele deixou escapar um suspiro. Com a cabeça em seu peito, pude finalmente ouvir as batidas de seu coração através da camisa. Pareciam aceleradas, sua mão,  acariciava minha bochecha. Ao olhar nos seus olhos, percebi que um sentimento inominável crescia entre nós. Com o olhar, Neymar me pedia algo que tínhamos concordado esperar. Estava feliz por ele não querer mais esperar. Inclinei levemente a cabeça em consentimento, e ele fechou o pequeno espaço entre nós me beijando com uma ternura inimaginável. Senti um sorriso em seus lábios, um sorriso que durou por muito tempo depois.








Oi garotinhas! Fico tão feliz de ler as palavrinhas de vocês por aqui. Aliás, uma menina me pediu pra postar duas vezes na semana se eu puder, então to correndo ao máximo pra tentar fazer isso quando der. Seria legal se vocês que comentam anônimo deixarem seus nomes, porque aí fica melhor pra eu saber e agradecer quando dividirem seu apoio comigo! Espero que gostem, Beijinhos!!!