sábado, 2 de abril de 2016

Capítulo 2: "Espero que encontre algo aqui, que valha a pena lutar"












Na semana seguinte, alguns funcionários dele invadiram nossa casa pra me preparar pra seleção. Veio uma mulher nojenta junto que parecia pensar que metade do meu formulário era mentira. Um segurança veio também para repassar as medidas de segurança que eu teria de tomar a partir de hoje. Recebi duas ligações de uma mulher chamada Sílvia, que tinha uma voz alegre e formal ao mesmo tempo, querendo saber se precisávamos de algo. Minha visita favorita foi de um homem boa pinta, de cavanhaque, que queria tirar as medidas das minhas roupas novas. (sim, ganharíamos roupas iguais pra chegar na mansão, que piada! ). O último funcionário chegou na quarta à tarde, dois dias antes de eu partir. Sua função era repassar todas as regras do concurso comigo. 
Assim que entrou em casa, perguntou se poderíamos conversar em particular. Olhei pros meus pais e fiquei intrigada logo de cara!
Ju: Podemos ir pra cozinha se você não se importar. - Sugeri e ele assentiu. Fui na frente e ele me acompanhou. 
Peguei um refresco e coloquei na mesa. Ele carregava uma pilha de papéis e uma caneta, que pôs ao lado de uma pasta com meu nome. 
Depois de organizado, ele começou a falar: 
- Juliana, isso pode soar meio grosseiro, mas desde sexta-feira passada, você é considerada propriedade desse concurso. Portanto deve tomar cuidados com seu corpo. - oi? Trouxe aqui diversos papéis que você deve assinar, enquanto eu te passo as informações necessárias. É meu dever avisar que qualquer falha ou descumprimento das regras por sua parte, implicará na sua exclusão do concurso.
Você entende? - assenti um pouco insegura. 
- Ok, então vamos pra parte mais fácil. Aqui temos algumas vitaminas, pra regularizar sua saúde e alimentação, caso ela esteja incorreta. Tem as instruções certinhas de como tomar na bula. Aqui você vai ter de fazer sozinha, mas caso precise de ajuda, terá pessoas disponíveis pra te ajudar lá. - Tive que me segurar para não rir. Quem precisa de ajuda pra tomar uma pílula? 
Tenho comigo o resultado dos exames que peguei com seu médico. Nada com o que se preocupar, você está em perfeito estado de saúde, embora ele tenha me dito que não tem dormido bem. - Preferi não comentar que a causa das minhas insônias eram a saúde da minha mãe porque ia soar muito apelativo. 
Prosseguindo. Sei que se trata de um tema muito pessoal, mas tive de tratar desse assunto com todas as participantes, então não fique tímida. - Ele fez uma pausa e continuou. Você é virgem? - Fiquei paralisada, não acredito que era esse o assunto. Não poderiam ter mandado pelo menos uma mulher? 
Ju: sou - falei num som quase inaudível. 
Ele limpou a garganta, talvez surpreso com a minha resposta, ou talvez nem tava acreditando na mesma. Mas eu não tava nem aí, do meu corpo quem sabe sou eu. 
- Então quero dizer que não soaria bem, rejeitar o protagonista do concurso em qualquer situação, se é que me entende...
Senti nojo, revolta. Estava furiosa, não tinha acabado de assinar um papel que dizia que eu seria desclassificada e em casos mais graves até punida se desrespeitasse as regras do concurso? Ele tinha dito que eu não estava acima das regras, mas aparentemente o jogador estava. Me senti suja, abaixo de qualquer ser humano. 
No outro dia de manhã, vesti o uniforme das selecionadas: calça preta, camisa branca e um sapato de minha preferência. Escolhi uma sapatilha nova que tia Ieda me deu do lançamento de sua loja. Não tava afim de usar salto, então pensei que seria bom deixar claro pro Neymar que não queria me arrumar pra ele. 
Malas prontas, então era hora de dizer adeus. Fiquei feliz por Tia Ieda vir só pra se despedir de mim. Vick já tava chorando e meu coração apertou. 
Ju: Daqui a pouco tô aqui de novo pirralha, relaxa 
Victória: Vai mesmo, você é a mais linda, ele vai ser idiota se não te escolher! - Porque todo mundo pensava que essa seleção se resumia só a beleza? Nós últimos dias só tenho escutado isso! Talvez o Neymar não precisasse de uma esposa com quem conversar, mas apenas de uma mulher que fizesse uma "boa imagem".
Literalmente tremi ao pensar na possibilidade do meu futuro ser isso, uma vida de aparências. 
Lucas: Descola o número de umas gatinhas lá pra mim - gargalhou e fiz cara de tédio. 
Ju: vou descolar minha mão na sua cara - abracei-o. Segura as pontas pra mim que já já tô de volta. 
Dei um abraço duplo nos meus tios e tia Ieda tava com a cara arreganhada igual eu. 
Ju: não me esqueçam, cuida dos coroas pra mim - eles assentiram sorrindo. 
Meu pai estava prestes a chorar e isso fez meu coração em pedacinhos. 
Ju: não chora papai - pedi caindo nos seus braços. 
Joaquim: Escute aqui boneca,  ganhando ou não, você tem que saber que é muito amada e muito especial! - Isso foi o suficiente pra eu inundar a sala. Suas palavras me fizeram perceber a importância do amor deles e o quanto inútil era esse concurso. 
Se eu voltasse de lá usada, rejeitada, ele ainda teria orgulho de mim. Era um peso grande de mais todo aquele amor. Afastei dele e fui abraçar minha mãe. 
Andressa: Faça o que te mandarem. Para de fazer cara feia e seja feliz! Não chuta ele pelo amor de Deus - gargalhei. Essa mulher me conhece até a alma porque eu realmente cogitei essa possibilidade. Comporte-se e sorria. Obrigada por tudo que fez e está fazendo por mim. Eu te amo muito - chorei 'poko'
Ju: é muito recíproco e se pudesse faria tudo de novo por cada um de vocês! - sorriram. 
Tratei logo de por fim no momento choro porque se não nunca ia sair de lá. 
Minhas malas já estavam no carro, acenei pra eles e entrei no mesmo rumo ao aeroporto.  Aliás, fui a primeira selecionada do Rio a chegar lá. (Haviam três cariocas além de mim)
Eu ia passar pela terrível experiência de voar e isso já estava me agoniando. Procurei controlar meu nervosismo, não queria de jeito nenhum passar vergonha na frente delas. Já tinha decorado o nome,  o rosto e o estado de todas as selecionada. Primeiro como um exercício terapêutico, um meio de me acalmar. Já fazia isso antes, só que era com a faxina, limpando móveis e esfregando chão. Na verdade, o que eu tava procurando nessa lista de selecionadas eram rostos amigáveis, meninas com que eu pudesse conversar dentro daquela casa. Nunca tive uma amiga de verdade, minha mãe tinha me ensinado tudo e eu só vinha trabalhando. Quando tia Ieda veio mais pra cá, aí passei a me dedicar mais a Vick. 
Eu me perguntava se alguma delas estavam tristes como eu. Tomei logo coragem pra enfrentar o que estava por vir, me fiz de forte. 
Meia hora depois, duas meninas com o mesmo uniforme que eu chegaram, e ambas vinham sorrindo em minha direção, confirmando minha teoria de que eu era a única deprimida. 
Reuni forças e levantei pra cumprimentá-las. 
Ju: Oi,  meu nome é Juliana - sorri. 
Marlee Tames: Eu sei! - Disparou a menina do cabelo castanho que deduzi logo que fosse Marlee. Ela nem ligou pra minha mão estendida, partiu logo pra um abraço. 
Ju: opa - deixei escapar e ela riu. Embora ela tenha um rosto sincero e amigo, eu não esperava aquilo. 
Marlee: Meu nome é Marlee e o dela é Ashley. - Seus olhos azuis me fez lembrar dela num instante. 
Ashley fez um aceno simpático e sorriu. Só. Não sei se era tímida ou se queria descobrir qual era a minha primeiro. 
Marlee: Amei seu cabelo, queria ter nascido loira. Ouvi dizer que tem um gênio difícil, é verdade? - Apesar do dia difícil, Marlee conseguiu dar uma amenizada com seu jeito espontâneo. Depois disso iniciamos uma conversa sobre coisas que nos agradavam ou não. 
Ela gostava de filmes, eu também, embora tivesse ido poucas vezes ao cinema. Falamos sobre os atores que achávamos irresistíveis, o que foi estranho,  visto que estávamos ali pra nos juntar à um bando de garotas "namoradas" do Neymar. Ashley soltava uma risadinha entre uma conversa e outra. Quando perguntava alguma coisa, era breve em suas respostas e depois voltava a exibir seu sorriso reservado. 
Marlee e eu nos demos bem logo de cara, o que me deu esperanças de sair dessa palhaçada com uma amiga. 
A hora voou, tanto que só fomos interrompidas por um som que marcava o pontilhar de salto alto no chão. Viramos na mesma hora e pude ouvir a boca de Marlee se abrindo como um estalo. 
Uma morena de óculos escuros caminhava em nossa direção. Sua boca estava marcada por um batom vermelho fortíssimo e suas passadas exalavam confiança. Ao contrário de Marlee e Ashley, ela não sorriu. Não que ela não estava feliz, ela tinha foco. Sua entrada por exemplo, parecia de alguém que a ensaiou pra intimidar e foi o que aconteceu, porque a medida que ia se aproximando, ouvi Ashley soltar um suspiro seguido de um "ahhh não".
Celeste era o nome dela. Marlee soltou seu "olá" empolgado e ela a olhou de cima a baixo, como se estivesse sem um pingo de paciência. 
Celeste: quando partimos?
Ju: Não sei, você demorou pra chegar. - Repondi sem medo algum. Ela não gostou nem um pouco e fez questão de me medir, mas fingiu que isso não a abalou. 
Celeste: Desculpem, muita gente queria se despedir de mim - deu um sorriso largo como se fosse óbvio que todos adoravam ela.
Um homem entrou ali aproveitando a deixa 
Xxxx: as quatro já estão pronta? 
Celeste: sim, isso mesmo - Disse com doçura. Ele ficou calado por um instante e então pareceu acordar. Dava pra ver nos olhos dele que ele tinha amolecido. Então esse era o jogo dela... 
- Pois bem,  vamos. Vou acompanhar vocês até o avião. 
O vôo que só foi assustador durante a decolagem e o pouso, durou tempo suficiente pra eu não sentir mais minha bunda. Havia filmes e comida, mas eu só queria olhar pela janela. Observava  tudo de cima, impressionada com o tamanho. Celeste dormiu durante o vôo, o que foi um grande favor. 
Quando aterrissamos, uns guardas nos levavam até o portão e o silêncio reinou. Só se ouvia o barulho dos nossos passos silenciosos e o salto chamativo de Celeste. 
Assim que as portas abriram, ouvia-se os gritos ensurdecedores. O terminal estava cheio de gente, porém havia seguranças controlando o tumulto. Celeste foi logo na frente e começou a acenar. Virei a cabeça várias vezes em questão de segundos toda vez que ouvia meu nome. Haviam cartazes, torcidas pra nós, gente gritando por mim...  como pode isso? 
Meninas choravam e de cara percebi que eram as fãs dele, senti um nó de culpa no estômago por desapontar quem torcia por mim. 
Baixei a cabeça por um instante e vi uma menininha esmagada contra o parapeito, não devia ter mais de 12 anos.
Tinha um cartaz em mãos que dizia: "As loiras dominam". Eu sabia que por incrível que pareça eu era a única loira da competição e seu cabelo era quase do mesmo tom que o meu. 
Ela queria um autógrafo, o rapaz do lado dela queria uma foto, a outra do seu lado queria apertar minha mão.. No fim, acabei demorando um pouco mais pra conseguir falar com todos que podia. Fui a última a sair dali. Quando entrei no carro, Celeste bufou, mas quem liga? Eu mesma não. 
Estava impressionada comigo mesma por ter "superado" as despedidas, o encontro com as primeiras garotas, meu primeiro vôo, e a interação com a massa de fãs. Tudo isso sem pagar micão.
Vinte minutos depois chegamos na mansão. Era tudo tão lindo e grande, e olha que nem tínhamos entrado. Quando a porta abriu, já fui puxada por uma mulher que disse que eu estava atrasada, pedi desculpas, afinal eu que atrasei o grupo na saída do aeroporto. Ela ficou surpresa por eu ter falo com as pessoas e em seguida sorriu. 
Entramos em um cômodo enorme e lotado de mulheres. Só se via profissionais cortando,  fazendo as unhas das garotas e gritos do tipo: "Encontrei o tom",  "assim ela parece gorda"
Xxxx: Aqui estão elas! - Uma mulher veio na nossa direção. Com certeza era a responsável. 
Xxxx: meu nome é Sílvia, conversamos por telefone. 
Imediatamente ela se pôs a trabalhar. 
Sílvia: primeiro as fotos do "antes". Vamos fazer um especial sobre a transformação de vocês. 
Tiramos as fotos. Depois foi cada uma pra um lado. Fui parar no lado 6 e um moreno baixo se aproximou de mim depois que sentei na cadeira. 
Xxxx: é o seguinte, precisamos conversar sobre sua imagem. - Oi? Não tava boa? Mas não foi por causa dela que eu fui parar ali? 
Xxxx: que impressão você quer dar? Com esses cabelos loiros posso te deixar bem sedutora, se não for sua jogada, pensamos em outra coisa. 
Ju: não vou mudar tudo em mim pra arranjar um cara que nem conheço - bufei. 
Xxxx: nossa, temos alguém especial aqui?
Ju: e não somos todas especiais? - Ele sorriu 
Xxxx: tudo bem então, não vamos mudar sua imagem, vamos apenas melhorá-la. -  Ele me deu um tapinha nas costas e saiu, não sem antes chamar um grupo de mulheres que vieram logo em seguida na minha direção. Elas fizeram minhas unhas, preparam um banho de banheiro relaxante com cheiro de baunilha. Depois  saíram e uma mulher que cuidaria do meu cabelo chegou. Ela lavou, condicionou, hidratou e amaciou. Antes ele era comprido e com corte reto, quando terminaram ele estava vários dedos mais curto e tinha camadas. Gostei delas, meu cabelo brilhava em diferentes contrastes.
Muitas garotas fizeram luzes e outras mudaram a cor do cabelo completamente. Nesse quesito, agradeci por estar linda no meu tom normal.
Uma moça muito bonita fez minha maquiagem, pedi que não carregasse muito e o resultado ficou bom. 
Um monte de gente ficou parecendo mais nova ou mais velha, estava feliz porque ainda parecia comigo mesma. 
Me levaram até as araras cheias de vestidos e eu escolhi um creme, tinha bom caimento, batia um pouco acima do joelhos e estava confortável na cintura. Sentei e fiz minha foto do "depois". 
Fizeram uma rápida entrevista comigo sobre a transformação e depois de todas dispensadas, Sílvia nos levou pra conhecer a casa e nossos quartos. 
Aquilo não era só uma mansão, era a mansão. Milhões de quartos, piscina do tamanho da minha casa e uma infinidades de cômodos destinados à algo, seja da cozinha a sala de jogos. 
Depois de conhecer nossos quartos, Sílvia pediu pra gente se arrumar pro jantar. Hoje iríamos conhecer só a irmã e a mãe dele. Parece que o pai acompanhou ele no jogo do Barcelona, mas não chegariam à tempo, logo, conheceríamos ele pela manhã. 
Entrei naquele quarto e a diferença para o quadradinho que eu tinha no Rio era enorme. Tudo de primeira qualidade, inclusive Sílvia falou que toda semana nosso guarda-roupa ia ser reposto com roupas novas e do nosso gosto. O que posso declarar quanto à isso? Nadinha! 
Me arrumei e no horário marcado eu saí do quarto encontrando Marlee no corredor, numa ótima coincidência. Descemos juntas e depois que todas estavam prontas, fomos pra sala de jantar. Elas já estavam lá e um frio na barriga apareceu. Cumprimentamos as mesmas e sentei no assento com meu nome. A comida era extremamente deliciosa, nunca comi algo tão bom e de boa qualidade. Realmente, dinheiro faz milagres. 
A dona Nadine era calma, tratou todas bem, mas é claro que pude notar sua desaprovação com o comportamento de umas que a bajulavam na cara de pau, como se ganhassem créditos com isso. Rafaela foi mais misteriosa, não houve muitas reações, e eu achava melhor assim, pelo menos não precisaria forçar nada. 
Voltei pro quarto quando todas estávamos liberadas do jantar e depois de vestir minha camisola, deitei na cama na tentativa de tentar relaxar os músculos. Em vão. Os minutos se passavam e eles pareciam se tensionar cada vez mais, de repente comecei a lembrar como vim parar aqui, como deixei a situação chegar nesse ponto. Devo ser louca! Vir pra uma mansão, disputar com 34 mal amadas um cara que nem conheço e de que já não gosto. Mas aí veio o porque... Minha mãe. Sua doença veio tão rápido, como uma bomba que explodiu nas nossas cabeças, e o que eu podia fazer? Como pagaria os remédios? E se eles não fossem suficientes? E se precisasse de um transplante?  E se... A última hipótese fez meu corpo esmorecer, não lembrava quando tinha começado a chorar, mas só me sentia presa, sufocada. Fui até a sacada na tentativa de me acalmar, mas não adiantou. 
Minha respiração continuava curta e fria. Não havia liberdade naquele lugar, isso me frustrava, e eu só queria fugir.. 
Saí do quarto, e consegui não me perder até chegar lá embaixo. Queria ir para o jardim, mas a trava da porta não abria, meu choro se intensificou e eu só não quebrei aquela merda porque não tinha dinheiro pra pagar nem a sombra da porta, quanto mais ela inteira. Tomei um susto quando ele apareceu e destravou as portas pra mim, o encarei, mas não por muito tempo, ou saíria ou desabava no chão. Corri como uma bêbada até lá fora, deixei que me corpo sentisse o ar fresco e grama nos meus pés. Cambaleei até um banco e fiquei com a cabeça apoiada no braço sobre o assento. 
Meu corpo não tinha forças pra soluçar, então as lágrimas desceram em silêncio. Estava tão aérea que só percebi que tinha companhia quando o neymar começou a falar comigo. 
Neymar: está tudo bem gatinha? 
Ju: eu não sou sua gatinha. - Levantei a cabeça e o encarei. Era impossível não notar o nojo no meu tom de voz. 
Neymar: o que eu fiz que te deixou tão irritada? Por acaso não te dei o que queria? - Ele ficou confuso com minha resposta, acho que achou que agradeceríamos aos astros pela sua existência. Encarei ele novamente sem medo, porém não disse nada. 
Vai continuar chorando gatinha ?
Ju: não me chama assim! Não sou a mais gatinha pra você do que as trinta e quatro garotas que você prende nesse jaula. - Ele se aproximou de mim como alguém que não tivesse ligado pra uma palavra que eu disse. 
Neymar: isso é mentira. Todas vocês são gatinhas pra mim, agora tenho que saber qual há de ser a mais. - Riu 
Ju: você disse mesmo "há de ser? " - Ele segurou uma risada 
Neymar: desculpa po, sei ser educado também. 
Ju: educado! Ridículo - resmunguei 
Neymar: que? 
Ju: ridículo! 
Neymar: o que é ridículo? 
Ju: esse concurso! Tudo! - Gritei Você nunca amou ninguém na vida?  É assim que quer escolher sua mulher? 
Você é baixo a esse ponto? 
Neymar: entendo a impressão que isso tudo da, mas talvez tenha outras coisas envolvidas que você não entenderia. - Ele parecia pensativo ao dizer isso, e eu estava com raiva demais pra questionar. Mas enfim, você realmente acha que aqui parece uma jaula? 
Ju: Certeza! 
Neymar: talvez.. mas você deve admitir, é uma jaula muito bonita. - sorriu 
Ju: pra você! Encha sua jaula com 34 garotas brigando pela mesma coisa e vê só que legal que é. 
Neymar: já estão brigando por mim? Ninguém entende que a escolha é minha? - Disse rindo. 
Ju: na verdade não é bem assim, elas brigam por duas coisas, algumas por você, outras pelo "título". E todas pensam já saber o que fazer pra que sua escolha seja óbvia. 
Neymar: ah sim, o homem e a fama. É, acho que algumas não sabem a diferença. - Afirmou balançando a cabeça. 
Ju: boa sorte com isso - comentei seca
Tudo ficou calmo depois dessa demonstração de sarcasmo. Olhei pra ele com o canto dos olhos, desejando que dissesse algo. Ele fitava a grama com o rosto, cheio de preocupação (?). Parecia que isso já o encomodava antes de chegarmos aqui. Ele respirou fundo e virou-se pra mim. 
Neymar: e você? Pelo que briga? 
Ju: na verdade, estou aqui por engano. 
Neymar: engano? 
Ju: é, mais ou menos. Bem, é uma longa história... Estou aqui e não estou lutando. Meu plano é aproveitar a comida até você me chutar. - Ele riu tanto que se inclinou pra trás e deu um tapa no joelho. Bizarro! 
Neymar: Carioca? 
Ju: sim! 
Neymar: não tô conseguindo ler seu broche no escuro - falou apertando os olhos na tentativa de realmente enxergar ele.
Ju: meu nome é Juliana. 
Neymar: hmm, nome bonito. Então, minha gatinha, espero que você encontre algo nessa jaula que valha a pena brigar. - Ele desceu do banco e se agachou do meu lado. Estava perto demais, eu não conseguia pensar direito. Talvez pela situação, as meninas, o concurso, minha mãe, enfim... Estava chocada demais pra reclamar quando ele pegou na minha mão. 
Neymar: se isso te deixa melhor, posso deixar a porta destravada, já que prefere o jardim. 
Eu queria, qualquer tipo de liberdade parecia uma dádiva. Mas eu ainda precisava ter certeza quanto à ele.
Ju: não! Não sei se quero nada que venha de você. - Disse puxando meus dedos da mão dele.
Neymar: como quiser - Disse surpreso, talvez até chateado. Senti mais arrependimento, não gostar dele não significava que precisava o tratar mal.
Você vai entrar daqui a pouco? 
Ju: sim - respondi com um suspiro olhando pro chão. 
Neymar: ok, vou deixar a porta encostada. 
Ju: Obrigada, Neymar.
Balancei a cabeça, quantas vezes o tratei mal nessa conversa? 
Neymar: gatinha, você pode me fazer um favor? - Pegou na minha mão de novo, persistente!
Ju: talvez - repliquei e seu sorriso voltou. 
Neymar: não conta isso pras outras, tecnicamente só deveria conhecer vocês amanhã, então não quero deixar ninguém irritada. Apesar de que seus gritos não tem nada a ver com um encontro romântico, não acha? - Agora foi a minha vez de sorrir 
Ju: nem de longe! - Respirei fundo. Não contarei. 
Neymar: obrigado. - se agachou mais e beijou meu rosto. Boa noite. 
Estava atônita, levantei o rosto pra ver ele saindo e me dando a privacidade que eu passei o dia querendo. 






Gente, queria deixar claro pra vocês o seguinte, o concurso não é tipo um BBB, filmado 24h. Ele acontece dentro da mansão, sem a presença da câmeras o tempo todo. O programa, dirigido por Gavril, vai ao ar uma vez por semana pra contar como vai o decorrer do concurso. 
A história do livro seleção, é baseada em outro tempo, onde tem um reinado envolvido e as 35 garotas disputam por um príncipe. Tô me esforçando muito pra trazer a história a realidade. Qualquer dúvida ou erro, me avisem, farei de tudo pra melhorar. Beijossss













 

7 comentários:

  1. MEU DEUS MEU DEUS E MEU DEUS ELAINE!!!! O QUE É ISSO??????

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  2. Coooooooontinuaa ❤👏💙💜'

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  3. Adorei. Continua p ontem!!! 👏👏👏💜 quais serão os dias q vc vai postar?

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  4. Ameei ❤❤ posta logo menina, que me matar de anciosidade?! 💁 hahahah

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  5. Sua fic é maravilhosa
    Um dos meus livros preferidos e vc ta arrasando nessa nova versão dele
    Amei real
    Continua

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  6. Eu achei essa fic do nada e mano, apaixoneeeeeei!!!! Continua, sério

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  7. Sua fic é linda, ainda não atingiu o número de comentários que você gostaria, mas acho que isso é só questão de tempo e espero que você volte a postar, espero muito mesmo. Volta assim que puder, beijos

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