"Foi difícil acreditar, do nada eu me vi ali, selecionada"
O dia amanheceu ensolarado, como se estivesse sorrindo pra mim. Talvez deva ser porque hoje é sexta e tia Ieda chega pra passar o final de semana aqui em casa. Tratei logo de arrumar minha cama e tomar um banho frio pra despertar o sono. Vesti uma bermuda e uma regata simples mesmo, porque hoje a senhorinha daqui ao lado, Dona Fátima, me chamou pra dar faxina lá. Desembaracei a juba e depois arrumei a pequena bagunça que fiz no banheiro.
Saí do quarto e vi que o relógio na parede do corredor marcava 08:23, logo deduzi que o Lucas e a mãe já tinham ido trabalhar.
Cheguei na Cozinha e o pai tava na companhia do seu bom e forte café.
Ju: Bom dia pai - depositei um beijo no topo da sua cabeça e sentei de frente pra ele.
Joaquim: Bom dia boneca (adoro quando ele me chama assim, parece normal, mas no fundo é um afeto só nosso).
Ju: acordou tem tempo? - Coloquei leite na xícara pra mim e acrescentei o café.
Joaquim: sim, levantei junto de sua mãe. Tem alguma coisa pra hoje?
Ju: Faxina na dona Fátima e você?
Joaquim: Nada - suspirou
Ju: ei, não fica assim - acariciei sua mão que estava sobre a mesa e ele que até então encarava sua xícara de café, me olhou. Tenho certeza que as coisas ainda vão melhorar
Joaquim: Deus te ouça minha filha, Deus te ouça.
Conversei mais um pouco com ele enquanto lavava a louça do café e tirava o frango pra descongelar. Terminei, dei uma ajeitadinha na sala, me despedi dele e saí.
Foram longas 4 horas de faxina, e duvido que tenha sobrado um fio de pó naquela casa, aliás não sei pra que guardar tanta coisa velha, só pra acumular serviço! Ela me pagou os 80 reias de sempre e fui embora.
Cheguei em casa e tomei um banho rápido porque se demorasse mais atrasaria o almoço. Me troquei e fui atrás do meu pai, ele estava na sala, avisei que o almoço sairia logo logo e fui pra cozinha. Fiz frango empanado, salada de alface e tomate, arroz, feijão e fritei batata frita. Coloquei tudo na mesa, gritei o pai enquanto fazia um suco de goiaba.
Terminei, ele se sentou e almoçamos só nós dois. O Lucas se vira pra comer na rua e minha mãe almoça nas casas que dá faxina.
A tarde parecia estar se arrastando, mas não segurei a euforia quando a companhia tocou (mamãe já tinha chegado), levantei do sofá pra porta em tempo recorde o que fez meu pai rir, abri a mesma e vi as três pessoas que eu tanto esperei o dia inteirinho que Deus deu.
Ju: Tiaaaaa - me joguei encima dela o que a fez gargalhar.
Ieda: eu sei que você me ama, só não precisava deixar tão claro - riram e eu dei língua
Fabrício: e de mim? Ninguém sente saudades não?
Ju: 'poko' dramático - ri e o abracei da mesma forma.
Victória (PS.: esqueci de por o nome dela na apresentação, sorry): Acho que mereço um abraço também, só acho! - Fez pose de séria, mas não aguentou e riu junto comigo.
Ju: vem cá pirralha - bateu na minha cabeça e me abraçou.
Eles entraram e falaram com meus pais, depois fiquei grudada na tia Ieda o tempo todo que ela ficou contando as fofocas de sp.
Ieda: Ju, queria te propor uma coisa... - Seu tom tinha uma mistura de mistério e receio, o que despertou minha curiosidade logo.
Ju: o que foi? - A Vic já começou a rir e aí que fiquei intrigada. Fala - ela riu
Ieda: sei que você não gosta dessas coisas, mas a oportunidade é ótima e eu sei que vai ajudar bastante - assenti incentivando ela a continuar. Li que vai ao ar hoje na TV, um concurso entre 35 garotas que serão escolhidas por todo o Brasil. Terão de preencher um formulário e as escolhidas serão hóspedes de uma linda mansão e enquanto estiverem nessa casa e no concurso, suas famílias serão recompensadas generosamente.
Ju: que tipo de concurso sem pé nem cabeça é esse tia? - Ri. Qual o objetivo disso? Vão disputar o que?
Ieda: então, aí é que está... Elas vão disputar pelo atual craque de Barcelona, o... Neymar. - Falou as últimas palavras mordendo os lábios como se fosse proibido o que tinha acabado de dizer.
Ju: tá de sacanagem né? -Gargalhei. Nem pensar!
Ieda: eu te contei sobre o concurso, mas ainda não falei minha proposta.
Ju: diz tia - respondi ela com toda paciência do mundo, mesmo sabendo que qualquer coisa que ela falasse seria inútil pra mudar minha posição.
Ieda: Se você preencher o formulário, eu mando 1/4 de tudo que eu ganhar nos próximos 5 meses nas vendas (ela tem uma loja de sapatos no Jk Iguatemi,seria um bom dinheiro e... Não! ) para você!
Ju: Tia, isso não é justo.
Ieda: mas é que ... - interrompi-a porque não era necessário dizer mais nada
Ju: Não tia, não e não. - Encerrei o assunto e fui ajudar a mãe com o jantar.
O fim de semana com eles aqui foram incríveis, adoro esse astral que fica armazenado na casa quando eles estão. Não tocamos mais naquele assunto e acho que foi melhor assim, seria loucura demais disputar por um homem que tem o rei na barriga e que não precisava de nenhuma dessas 35 pra ser "feliz". Como tudo que é bom dura pouco, eles tiveram de ir.
Apesar de meu pai e o Lucas fazerem de tudo pro clima da casa ser o melhor possível, percebíamos que era inútil, visto que depois da última faxina, minha mãe não aguentava nem levantar pra comer, sabíamos que havia algo de errado, por isso marquei uma consulta no posto do nosso bairro pra resolver isso logo. Anotei tudo que ela sentia e pedi pro Lucas pesquisar com seus amigos de faculdade, qual médico procurar, e o mesmo me disse que seria um cardiologista.
O dia 7 de novembro (2015) chegou e acompanhei ela até ele. O mesmo pediu uma série de exames o que me preocupou. No dia 22, quinze dias após o resultado dos exames, levamos tudo pro doutor e ele concluiu que minha mãe sofria de Cardiopatia grave. Ela ocorre quando o coração adoece a ponto de perder sua capacidade funcional. Pode trazer grande incapacidade na vida pessoal e profissional do paciente, podendo levar à morte. O tratamento para cardiopatia grave pode ser feito através de uso de remédios, por vezes, venosos; Colocação balão intra-aórtico; Cirurgia para correção do distúrbio de base nos casos de valvopatia, cardiopatia isquêmica ou congênita;
E nos casos mais graves, há necessidade de transplante cardíaco;
Um transplante era o que eu menos queria, tanto que nem cogitava essa possibilidade.
Precisávamos começar um tratamento logo, se não a situação só se agravaria. Mas começando o tratamento, como poderia pagar os remédios? Como pagaria uma unidade se fosse necessário um transplante se mal temos para viver? Me sentia a pior pessoa do mundo por não conseguir resolver uma questão de saúde da minha mãe. Saímos de lá arrasadas, contamos pro Lucas e pro papai e a reação deles não era diferente. Estava sem saída, não podia deixar minha mãe nessa situação por um capricho meu, pensei muito e liguei pra tia Ieda, contei nossa situação atual e por último falei que preencheria o formulário, ela quase gritou do outro lado da linha e pude dar um riso sincero a primeira vez no dia. Na verdade aceitei a proposta dela não pela possibilidade de ser escolhida, porque é óbvio que isso não aconteceria, mas sim pelo dinheiro que ela me daria que seria um bom começo pros remédios da minha mãe.
No dia seguinte, fui até uma lan-house, imprimi o formulário que estava no site do tal jogador e fui pra casa.
O Lucas era o que menos concordava com a idéia, talvez por ciúmes e culpa por me fazer passar por isso. Mas como tia Ieda falou, precisava fazer isso pelo minha mãe.
Minha mãe. Sim. Eu queria ajudá-la. Fazia tempo demais que as coisas não iam bem. Eu me perguntava se meu pai veria a Seleção como um meio de fazer com que tudo voltasse ao normal, se é que o dinheiro podia melhorar as coisas. Não que nossa situação fosse tão precária a ponto temermos por nossa sobrevivência, mas acho que daqui uns meses ou anos, não estávamos longe disso.
Eu sabia que meu pai sentia um grande peso nas costas. Também sabia que tia Ieda me achava despeitada por não querer preencher um formuláriozinho, mas é que havia coisas importantes pra mim. E essa folha de papel se erguia como um muro entre mim e o que eu queria. Talvez eu quisesse coisas idiotas, ou que não conseguia alcançar. Mesmo assim, eram coisas minhas. Não queria sacrificar meus sonhos, independente do quanto minha família era importante pra mim, mas eu precisava por ela.
Cheguei em casa e logo senti três olhares atentos sobre mim, sentei no sofá de frente pra eles, suspirei e comecei a ler o formulário :
"Se você está com esse formulário em mãos, então confirmamos que há uma mulher solteira entre 18 e 20 interessada na seleção. Gostaríamos de te informar sobre uma oportunidade única de se tornar a Senhora Silva Santos. Nosso querido, Neymar Júnior, após ter atingido a maioridade há alguns anos, resolveu adentrar esta nova fase da vida com uma companheira a seu lado. Se estiver interessada na possibilidade de torna-se a noiva do Craque, por favor preencha os campos do formulário abaixo e entregue ao departamento de serviços Neymar Jr.
Serão escolhidas jovens de todos os estados brasileiros fazendo um somatório de 35 moças. As participantes serão hospedadas na sua agradável mansão em Barcelona, enquanto durar sua estada. A família de cada participante será recompensada generosamente, por proporcionar a participação da jovem ao concurso."
Após uns minutos aterrorizantes em silêncio minha mãe o quebrou.
Andressa: Ele adoraria você. Aliás, qualquer um. Você é linda!
Ju: Mãe, por favor. Quando muito eu fico na média.
Lucas: Não fica, eu pareço com você e eu sou lindo - gargalhei.
Ju: se fecha!
Andressa: você sabe que é uma menina muito bonita, filha.
Joaquim: Realmente. - Disse em seu primeiro comentário desde que a história começara. Sua voz tinha uma nota de tristeza e ele olhava firmemente para o jarro emcima da mesinha de Centro. Eu estava tentando descobrir o que tanto o perturbava. Esse formulário idiota? A possibilidade de um jogador na minha cola? A situação da minha mãe? A distância que eu ficaria se fosse sorteada?
Meu pai e eu éramos próximos. Acho que quando nasci minha mãe estava cansada, afinal trabalhar faxinando de casa em casa e com um bebê não deve ser fácil. Aí ele teve de cuidar de mim na maior parte do tempo. Herdei o gênio dela, mas a compaixão dele.
Meu pai levantou os olhos por uma fração de segundos e foi aí que eu entendi. Ele não queria eu eu fosse, mas também não poderia negar os benefícios que teríamos se eu ficasse ao menos um dia no concurso.
Lucas foi para o quarto e eu falei pra mamãe fazer o mesmo, afinal seu corpo precisava descansar.
No formulário era tudo bem simples. Preenchi nome, idade, estado e informações de contato. Também tive que completar peso, altura, cor de cabelo, pele e olho. Fiquei muito satisfeita ao escrever que podia falar dois idiomas. Lucas fez questão de me ensinar tudo que aprendeu no cursinho de inglês, depois que entrou pra faculdade. Na seção "habilidade especiais", incluí instrumento musical (aprendi um pouco de violão com o João, amigo do ensino médio).
Ju: você acha que a capacidade de dormir até tarde conta como habilidade especial? - Perguntei pro papai fingindo estar indecisa.
Saí do quarto e vi que o relógio na parede do corredor marcava 08:23, logo deduzi que o Lucas e a mãe já tinham ido trabalhar.
Cheguei na Cozinha e o pai tava na companhia do seu bom e forte café.
Ju: Bom dia pai - depositei um beijo no topo da sua cabeça e sentei de frente pra ele.
Joaquim: Bom dia boneca (adoro quando ele me chama assim, parece normal, mas no fundo é um afeto só nosso).
Ju: acordou tem tempo? - Coloquei leite na xícara pra mim e acrescentei o café.
Joaquim: sim, levantei junto de sua mãe. Tem alguma coisa pra hoje?
Ju: Faxina na dona Fátima e você?
Joaquim: Nada - suspirou
Ju: ei, não fica assim - acariciei sua mão que estava sobre a mesa e ele que até então encarava sua xícara de café, me olhou. Tenho certeza que as coisas ainda vão melhorar
Joaquim: Deus te ouça minha filha, Deus te ouça.
Conversei mais um pouco com ele enquanto lavava a louça do café e tirava o frango pra descongelar. Terminei, dei uma ajeitadinha na sala, me despedi dele e saí.
Foram longas 4 horas de faxina, e duvido que tenha sobrado um fio de pó naquela casa, aliás não sei pra que guardar tanta coisa velha, só pra acumular serviço! Ela me pagou os 80 reias de sempre e fui embora.
Cheguei em casa e tomei um banho rápido porque se demorasse mais atrasaria o almoço. Me troquei e fui atrás do meu pai, ele estava na sala, avisei que o almoço sairia logo logo e fui pra cozinha. Fiz frango empanado, salada de alface e tomate, arroz, feijão e fritei batata frita. Coloquei tudo na mesa, gritei o pai enquanto fazia um suco de goiaba.
Terminei, ele se sentou e almoçamos só nós dois. O Lucas se vira pra comer na rua e minha mãe almoça nas casas que dá faxina.
A tarde parecia estar se arrastando, mas não segurei a euforia quando a companhia tocou (mamãe já tinha chegado), levantei do sofá pra porta em tempo recorde o que fez meu pai rir, abri a mesma e vi as três pessoas que eu tanto esperei o dia inteirinho que Deus deu.
Ju: Tiaaaaa - me joguei encima dela o que a fez gargalhar.
Ieda: eu sei que você me ama, só não precisava deixar tão claro - riram e eu dei língua
Fabrício: e de mim? Ninguém sente saudades não?
Ju: 'poko' dramático - ri e o abracei da mesma forma.
Victória (PS.: esqueci de por o nome dela na apresentação, sorry): Acho que mereço um abraço também, só acho! - Fez pose de séria, mas não aguentou e riu junto comigo.
Ju: vem cá pirralha - bateu na minha cabeça e me abraçou.
Eles entraram e falaram com meus pais, depois fiquei grudada na tia Ieda o tempo todo que ela ficou contando as fofocas de sp.
Ieda: Ju, queria te propor uma coisa... - Seu tom tinha uma mistura de mistério e receio, o que despertou minha curiosidade logo.
Ju: o que foi? - A Vic já começou a rir e aí que fiquei intrigada. Fala - ela riu
Ieda: sei que você não gosta dessas coisas, mas a oportunidade é ótima e eu sei que vai ajudar bastante - assenti incentivando ela a continuar. Li que vai ao ar hoje na TV, um concurso entre 35 garotas que serão escolhidas por todo o Brasil. Terão de preencher um formulário e as escolhidas serão hóspedes de uma linda mansão e enquanto estiverem nessa casa e no concurso, suas famílias serão recompensadas generosamente.
Ju: que tipo de concurso sem pé nem cabeça é esse tia? - Ri. Qual o objetivo disso? Vão disputar o que?
Ieda: então, aí é que está... Elas vão disputar pelo atual craque de Barcelona, o... Neymar. - Falou as últimas palavras mordendo os lábios como se fosse proibido o que tinha acabado de dizer.
Ju: tá de sacanagem né? -Gargalhei. Nem pensar!
Ieda: eu te contei sobre o concurso, mas ainda não falei minha proposta.
Ju: diz tia - respondi ela com toda paciência do mundo, mesmo sabendo que qualquer coisa que ela falasse seria inútil pra mudar minha posição.
Ieda: Se você preencher o formulário, eu mando 1/4 de tudo que eu ganhar nos próximos 5 meses nas vendas (ela tem uma loja de sapatos no Jk Iguatemi,seria um bom dinheiro e... Não! ) para você!
Ju: Tia, isso não é justo.
Ieda: mas é que ... - interrompi-a porque não era necessário dizer mais nada
Ju: Não tia, não e não. - Encerrei o assunto e fui ajudar a mãe com o jantar.
O fim de semana com eles aqui foram incríveis, adoro esse astral que fica armazenado na casa quando eles estão. Não tocamos mais naquele assunto e acho que foi melhor assim, seria loucura demais disputar por um homem que tem o rei na barriga e que não precisava de nenhuma dessas 35 pra ser "feliz". Como tudo que é bom dura pouco, eles tiveram de ir.
Apesar de meu pai e o Lucas fazerem de tudo pro clima da casa ser o melhor possível, percebíamos que era inútil, visto que depois da última faxina, minha mãe não aguentava nem levantar pra comer, sabíamos que havia algo de errado, por isso marquei uma consulta no posto do nosso bairro pra resolver isso logo. Anotei tudo que ela sentia e pedi pro Lucas pesquisar com seus amigos de faculdade, qual médico procurar, e o mesmo me disse que seria um cardiologista.
O dia 7 de novembro (2015) chegou e acompanhei ela até ele. O mesmo pediu uma série de exames o que me preocupou. No dia 22, quinze dias após o resultado dos exames, levamos tudo pro doutor e ele concluiu que minha mãe sofria de Cardiopatia grave. Ela ocorre quando o coração adoece a ponto de perder sua capacidade funcional. Pode trazer grande incapacidade na vida pessoal e profissional do paciente, podendo levar à morte. O tratamento para cardiopatia grave pode ser feito através de uso de remédios, por vezes, venosos; Colocação balão intra-aórtico; Cirurgia para correção do distúrbio de base nos casos de valvopatia, cardiopatia isquêmica ou congênita;
E nos casos mais graves, há necessidade de transplante cardíaco;
Um transplante era o que eu menos queria, tanto que nem cogitava essa possibilidade.
Precisávamos começar um tratamento logo, se não a situação só se agravaria. Mas começando o tratamento, como poderia pagar os remédios? Como pagaria uma unidade se fosse necessário um transplante se mal temos para viver? Me sentia a pior pessoa do mundo por não conseguir resolver uma questão de saúde da minha mãe. Saímos de lá arrasadas, contamos pro Lucas e pro papai e a reação deles não era diferente. Estava sem saída, não podia deixar minha mãe nessa situação por um capricho meu, pensei muito e liguei pra tia Ieda, contei nossa situação atual e por último falei que preencheria o formulário, ela quase gritou do outro lado da linha e pude dar um riso sincero a primeira vez no dia. Na verdade aceitei a proposta dela não pela possibilidade de ser escolhida, porque é óbvio que isso não aconteceria, mas sim pelo dinheiro que ela me daria que seria um bom começo pros remédios da minha mãe.
No dia seguinte, fui até uma lan-house, imprimi o formulário que estava no site do tal jogador e fui pra casa.
O Lucas era o que menos concordava com a idéia, talvez por ciúmes e culpa por me fazer passar por isso. Mas como tia Ieda falou, precisava fazer isso pelo minha mãe.
Minha mãe. Sim. Eu queria ajudá-la. Fazia tempo demais que as coisas não iam bem. Eu me perguntava se meu pai veria a Seleção como um meio de fazer com que tudo voltasse ao normal, se é que o dinheiro podia melhorar as coisas. Não que nossa situação fosse tão precária a ponto temermos por nossa sobrevivência, mas acho que daqui uns meses ou anos, não estávamos longe disso.
Eu sabia que meu pai sentia um grande peso nas costas. Também sabia que tia Ieda me achava despeitada por não querer preencher um formuláriozinho, mas é que havia coisas importantes pra mim. E essa folha de papel se erguia como um muro entre mim e o que eu queria. Talvez eu quisesse coisas idiotas, ou que não conseguia alcançar. Mesmo assim, eram coisas minhas. Não queria sacrificar meus sonhos, independente do quanto minha família era importante pra mim, mas eu precisava por ela.
Cheguei em casa e logo senti três olhares atentos sobre mim, sentei no sofá de frente pra eles, suspirei e comecei a ler o formulário :
"Se você está com esse formulário em mãos, então confirmamos que há uma mulher solteira entre 18 e 20 interessada na seleção. Gostaríamos de te informar sobre uma oportunidade única de se tornar a Senhora Silva Santos. Nosso querido, Neymar Júnior, após ter atingido a maioridade há alguns anos, resolveu adentrar esta nova fase da vida com uma companheira a seu lado. Se estiver interessada na possibilidade de torna-se a noiva do Craque, por favor preencha os campos do formulário abaixo e entregue ao departamento de serviços Neymar Jr.
Serão escolhidas jovens de todos os estados brasileiros fazendo um somatório de 35 moças. As participantes serão hospedadas na sua agradável mansão em Barcelona, enquanto durar sua estada. A família de cada participante será recompensada generosamente, por proporcionar a participação da jovem ao concurso."
Após uns minutos aterrorizantes em silêncio minha mãe o quebrou.
Andressa: Ele adoraria você. Aliás, qualquer um. Você é linda!
Ju: Mãe, por favor. Quando muito eu fico na média.
Lucas: Não fica, eu pareço com você e eu sou lindo - gargalhei.
Ju: se fecha!
Andressa: você sabe que é uma menina muito bonita, filha.
Joaquim: Realmente. - Disse em seu primeiro comentário desde que a história começara. Sua voz tinha uma nota de tristeza e ele olhava firmemente para o jarro emcima da mesinha de Centro. Eu estava tentando descobrir o que tanto o perturbava. Esse formulário idiota? A possibilidade de um jogador na minha cola? A situação da minha mãe? A distância que eu ficaria se fosse sorteada?
Meu pai e eu éramos próximos. Acho que quando nasci minha mãe estava cansada, afinal trabalhar faxinando de casa em casa e com um bebê não deve ser fácil. Aí ele teve de cuidar de mim na maior parte do tempo. Herdei o gênio dela, mas a compaixão dele.
Meu pai levantou os olhos por uma fração de segundos e foi aí que eu entendi. Ele não queria eu eu fosse, mas também não poderia negar os benefícios que teríamos se eu ficasse ao menos um dia no concurso.
Lucas foi para o quarto e eu falei pra mamãe fazer o mesmo, afinal seu corpo precisava descansar.
No formulário era tudo bem simples. Preenchi nome, idade, estado e informações de contato. Também tive que completar peso, altura, cor de cabelo, pele e olho. Fiquei muito satisfeita ao escrever que podia falar dois idiomas. Lucas fez questão de me ensinar tudo que aprendeu no cursinho de inglês, depois que entrou pra faculdade. Na seção "habilidade especiais", incluí instrumento musical (aprendi um pouco de violão com o João, amigo do ensino médio).
Ju: você acha que a capacidade de dormir até tarde conta como habilidade especial? - Perguntei pro papai fingindo estar indecisa.
Joaquim: sim, pode colocar aí. E não se esqueça de escrever aí que consegue comer um prato em cinco minutos. - Respondeu e eu gargalhei. Era verdade, eu praticamente engolia a comida.
Peguei o formulário preenchido, coloquei dentro de uma pasta e pus na bolsa. Pedi o celular do papai emprestado, caso eles quisessem falar comigo, aí era só ligar pro do Lucas.
Saí de casa e fui rumo ao departamento no centro da cidade onde estava instalado as barracas patrocinadas pelo concurso.
Quando cheguei lá, a rua estava lotada de mulheres. Estavam todas bem arrumadas e por um momento me senti envergonhada por estar usando shorts jeans, camiseta e rasteirinha. Entendi logo o motivo quando vi umas garotas ao meu lado comentando se estavam bonitas o suficiente pra foto. Parece que o sorteio não era bem um sorteio, é por isso que eles tiravam fotos e colhiam todas essas informações. Qual a importância de saber quantas línguas você fala se é tudo aleatório? Parece que a notícia vazou, só se via garotas produzidas por todos os lados. Parei e refleti sobre a situação. Eu não queria aquilo, então não estar arrumada era bom.
Quando estava próximo a minha vez o Lucas ligou no celular do meu pai, dizendo que ganhamos doações de um mês de remédios pra minha mãe! Um sorriso largo apareceu no meu rosto, foi automático. Eu estava radiante e morrendo de vontade de saltitar por todo aquele lugar. Era surreal. Voltei pra fila, cheguei ao guichê, assinei os papéis confirmando que as informações eram verdadeiras e tirei a foto. Antes de tirar , balancei os cabelos uma ou duas vezes pra que ficassem com vida. Acho que nenhuma garota do Rio de Janeiro estava mais sorridente que eu.
Na sexta à noite, a globo transmitiu às boas vindas do concurso, que seria transmitido pela mesma. Não quis ouvir muita coisa, mas Ele estava presente. Gavril, o apresentador do concurso, fez a seguinte pergunta para o mesmo: Como seria a mulher perfeita pra você?
E ele disse: - "Pra ser sincero, não sei. Acho que essa é a melhor parte da seleção. Não haverá duas mulheres iguais no concurso, nem em beleza, nem em personalidade. Ao longo do processo, conhecendo todas e conversando com elas, espero descobrir o que quero." Falou sorrindo.
Peguei o formulário preenchido, coloquei dentro de uma pasta e pus na bolsa. Pedi o celular do papai emprestado, caso eles quisessem falar comigo, aí era só ligar pro do Lucas.
Saí de casa e fui rumo ao departamento no centro da cidade onde estava instalado as barracas patrocinadas pelo concurso.
Quando cheguei lá, a rua estava lotada de mulheres. Estavam todas bem arrumadas e por um momento me senti envergonhada por estar usando shorts jeans, camiseta e rasteirinha. Entendi logo o motivo quando vi umas garotas ao meu lado comentando se estavam bonitas o suficiente pra foto. Parece que o sorteio não era bem um sorteio, é por isso que eles tiravam fotos e colhiam todas essas informações. Qual a importância de saber quantas línguas você fala se é tudo aleatório? Parece que a notícia vazou, só se via garotas produzidas por todos os lados. Parei e refleti sobre a situação. Eu não queria aquilo, então não estar arrumada era bom.
Quando estava próximo a minha vez o Lucas ligou no celular do meu pai, dizendo que ganhamos doações de um mês de remédios pra minha mãe! Um sorriso largo apareceu no meu rosto, foi automático. Eu estava radiante e morrendo de vontade de saltitar por todo aquele lugar. Era surreal. Voltei pra fila, cheguei ao guichê, assinei os papéis confirmando que as informações eram verdadeiras e tirei a foto. Antes de tirar , balancei os cabelos uma ou duas vezes pra que ficassem com vida. Acho que nenhuma garota do Rio de Janeiro estava mais sorridente que eu.
Na sexta à noite, a globo transmitiu às boas vindas do concurso, que seria transmitido pela mesma. Não quis ouvir muita coisa, mas Ele estava presente. Gavril, o apresentador do concurso, fez a seguinte pergunta para o mesmo: Como seria a mulher perfeita pra você?
E ele disse: - "Pra ser sincero, não sei. Acho que essa é a melhor parte da seleção. Não haverá duas mulheres iguais no concurso, nem em beleza, nem em personalidade. Ao longo do processo, conhecendo todas e conversando com elas, espero descobrir o que quero." Falou sorrindo.
Depois de uma semana normalmente, chegou o dia onde anunciariam as selecionadas.
Faltavam 10 minutos pro programa começar e já estávamos à postos. Meus pais mais do que eu, afinal não tinha expectativa nenhuma pra isso.
Quando o relógio marcou 20h, Gravil apareceu na pequena tela de casa, onde começou conversando com um cara que deduzi ser pai do Jogador.
Gavril perguntou o que o mesmo achava disso tudo, ele confirmou que viu belas moças, e que esse concurso ia ser acirrado.
Em seguida ele perguntou pra mãe dele o que ela tinha a dizer para as garotas que seriam selecionadas hoje.
A mesma respondeu: "Aproveitem a última noite como uma garota normal. Amanhã, independente do que virá, a vida de vocês mudará completamente. E um conselho antigo, porém valioso: sejam vocês mesmas!" - sorriu.
Admirei suas sábias palavras e talvez no meio dessa papagaiada toda, eu tenha me simpatizado com ela.
O rosto dele apareceu no canto superior direito da tela. A idéia era mostrar as reações dele diante das fotos que iam surgindo no monitor. Acreditava-se que ela já demonstraria uma opinião sobre elas, como nós também faríamos em casa.
Gavril tinha uma série de fichas na mão e estava pronto pra ler o nome das garotas. A seleção começava naquele exato momento.
Gavril: Senhorita Elayna Stoles, Espírito Santo. -
A foto de uma menina delicada, com pele de porcelana apareceu. Parecia uma dama. Neymar pareceu animado.
Talita Keeper, São Paulo.
Veio a foto de uma garota sardenta. Parecia mais velha, mais madura. Neymar cochichou algo com o pai.
Amanda Castley, Minas Gerais. Era uma morena de olhos flamejantes, talvez tivesse a minha idade, mas parecia mais... Vivida.
Virei pra minha mãe no sofá :
Ju: Ela não parece um pouco...
Gavril: Juliana Magaldi, Rio de Janeiro.
Voltei os olhos pra tv, no susto. Lá estava minha foto, tirada logo após ter descoberto que minha mãe ganhou 1 mês de remédios grátis, onde cada um valia o preço da minha vida. Eu parecia radiante, esperançosa, linda. Dava pra notar que eu estava feliz, e algum imbecil achou que era pelo jogador.
Minha mãe gritou na minha orelha, Lucas deu um pulo do sofá sem acreditar. Meu pai... É difícil dizer, mas acho que ele escondia um sorrisinho por trás do livro.
Perdi a expressão no rosto do Neymar.
O telefone tocou, e não parou mais por dias.
Faltavam 10 minutos pro programa começar e já estávamos à postos. Meus pais mais do que eu, afinal não tinha expectativa nenhuma pra isso.
Quando o relógio marcou 20h, Gravil apareceu na pequena tela de casa, onde começou conversando com um cara que deduzi ser pai do Jogador.
Gavril perguntou o que o mesmo achava disso tudo, ele confirmou que viu belas moças, e que esse concurso ia ser acirrado.
Em seguida ele perguntou pra mãe dele o que ela tinha a dizer para as garotas que seriam selecionadas hoje.
A mesma respondeu: "Aproveitem a última noite como uma garota normal. Amanhã, independente do que virá, a vida de vocês mudará completamente. E um conselho antigo, porém valioso: sejam vocês mesmas!" - sorriu.
Admirei suas sábias palavras e talvez no meio dessa papagaiada toda, eu tenha me simpatizado com ela.
O rosto dele apareceu no canto superior direito da tela. A idéia era mostrar as reações dele diante das fotos que iam surgindo no monitor. Acreditava-se que ela já demonstraria uma opinião sobre elas, como nós também faríamos em casa.
Gavril tinha uma série de fichas na mão e estava pronto pra ler o nome das garotas. A seleção começava naquele exato momento.
Gavril: Senhorita Elayna Stoles, Espírito Santo. -
A foto de uma menina delicada, com pele de porcelana apareceu. Parecia uma dama. Neymar pareceu animado.
Talita Keeper, São Paulo.
Veio a foto de uma garota sardenta. Parecia mais velha, mais madura. Neymar cochichou algo com o pai.
Amanda Castley, Minas Gerais. Era uma morena de olhos flamejantes, talvez tivesse a minha idade, mas parecia mais... Vivida.
Virei pra minha mãe no sofá :
Ju: Ela não parece um pouco...
Gavril: Juliana Magaldi, Rio de Janeiro.
Voltei os olhos pra tv, no susto. Lá estava minha foto, tirada logo após ter descoberto que minha mãe ganhou 1 mês de remédios grátis, onde cada um valia o preço da minha vida. Eu parecia radiante, esperançosa, linda. Dava pra notar que eu estava feliz, e algum imbecil achou que era pelo jogador.
Minha mãe gritou na minha orelha, Lucas deu um pulo do sofá sem acreditar. Meu pai... É difícil dizer, mas acho que ele escondia um sorrisinho por trás do livro.
Perdi a expressão no rosto do Neymar.
O telefone tocou, e não parou mais por dias.
Oi oi, primeiro capítulo postado e confesso que estou nervosa pra saber o que vocês vão achar. O blog ainda é novo, então seriam um enorme favor que fariam por mim se me ajudassem a divulgar.
Comentem o que estão achando aqui, que lerei com prazer! Beijos

Adorei. Achei o blog bastante diferente de todos q leio.Continue assim. Continue logo
ResponderExcluirPosso te matar quando? Conto oq achei no whats!!
ResponderExcluirEu to louca ja pela fic , nossa amo esse livro é gostei muito dessa "versão "
ResponderExcluirContinua logo ameii
ResponderExcluirTô amando, é muito interessante... Continua
ResponderExcluirEstou maravilhosamente impressionada essa fic é perfeita 😍😍 posta logo o próximo estou ansiosa já
ResponderExcluirContinuaaa ansiosa demais
ResponderExcluir